O Palácio do Planalto avalia com preocupação os efeitos políticos da crise no Supremo Tribunal Federal. O governo, porém, ainda não identificou perda de apoio a Luiz Inácio Lula da Silva (PT) em grupos específicos do eleitorado. O ministro André Mendonça retirou o sigilo de parte do material do caso Banco Master na 5ª feira (10.set.2026), e o núcleo político decidiu deslocar o debate público para a investigação que atinge o senador Flávio Bolsonaro (PL).
Alguns palacianos admitem que a disputa eleitoral está mais difícil do que o governo projetava. O clima no PT também ficou mais tenso com a proximidade do 1º turno. Nesta 6ª feira (11.set), porém, integrantes da campanha voltaram a demonstrar mais otimismo.
Sem o sigilo das investigações sobre o adversário de Lula, ministros do governo passaram a explorar publicamente as informações sobre Flávio e o financiamento do filme “Dark Horse”, produção sobre a trajetória de Jair Bolsonaro (PL). O ministro André Mendonça havia autorizado em julho a investigação sobre a atuação do senador no financiamento do filme. A decisão veio a público na 5ª feira (10.set).
Lula defende a abertura dos autos do caso. Ao mesmo tempo, cobra explicações sobre a origem e o destino dos recursos usados no filme. O presidente comentou a queda do sigilo de forma sucinta: “O povo brasileiro precisa saber toda a verdade”, escreveu no Instagram.

Coube a integrantes do governo fazer as críticas. O ministro da SRI (Secretaria de Relações Institucionais), José Guimarães, afirmou nesta 6ª feira que Flávio está no “epicentro” de um dos casos mais graves revelados pelas investigações do Master. “O que veio a público é estarrecedor: Flávio teria negociado diretamente com Vorcaro o aporte de milhões de dólares para o filme”, declarou.
O ministro Guilherme Boulos, da Secretaria-Geral da Presidência, disse que Flávio se recusa a apresentar a prestação de contas do filme. “Mas parece que não vai precisar. A PF está fazendo a prestação de contas por ele”, afirmou.
PT formaliza reação
Éden Valadares, secretário de Comunicação do PT, vinculou a abertura dos sigilos à posição de Lula. Segundo ele, a medida atende ao que o presidente sempre defendeu: que as investigações sejam abertas e alcancem “seja quem for”.
Valadares também cobrou que Flávio divulgue o contrato de Dark Horse, apresente a prestação de contas do filme e informe quanto recebeu do Banco Master e a destinação dos recursos. Afirmou que o senador deverá apresentar uma versão para sua base política e o chamou de “irmãozão” de Daniel Vorcaro. Também disse considerar que Flávio está envolvido no caso Banco Master.
A Executiva Nacional do PT se reuniu na 5ª feira e aprovou uma resolução que trata a crise institucional como parte do cenário eleitoral. Horas antes, Lula telefonou para Edinho Silva, presidente do partido.
O texto referendado afirma que o STF vive uma “guerra”. Defende que as investigações sejam conduzidas com transparência e pede a retirada de todo o sigilo do caso Banco Master. Segundo o documento, vazamentos seletivos podem interferir diretamente na disputa eleitoral. Leia a íntegra (PDF – 81 kB) do documento.
A resolução determina que o partido explore politicamente as informações sobre a família Bolsonaro e o filme Dark Horse. Defende ainda que é preciso esclarecer o destino de dezenas de milhões de reais usados no projeto.
A Executiva também retomou proposta de reforma do sistema de Justiça. Estão entre as medidas cadeiras da sociedade civil no CNJ e no CNMP, fim de supersalários e penduricalhos, quarentenas mais duras e debate sobre mandatos nas cortes superiores.
Lula atua nos bastidores
Lula e o presidente do STF, Edson Fachin, conversaram sobre a crise durante as comemorações de 7 de Setembro. Os dois voltaram a falar ao longo da semana. Em uma das ligações, Lula pediu a Fachin a retirada do sigilo das investigações do Banco Master.
A defesa da transparência se tornou uma das principais posições públicas do presidente sobre o caso.
O presidente evita tomar a frente do debate. Só se fala quando é provocado. Foi o que aconteceu na entrevista ao SBT Brasil exibida na 5ª feira (10.set.2026), quando o presidente afirmou que Mendonça, Fachin ou qualquer outro ministro deve responder caso seja culpado por irregularidades.
O movimento também integra uma tentativa de Lula de se descolar politicamente de Alexandre de Moraes. A relação passou por um período de afastamento após o Senado rejeitar a indicação de Jorge Messias ao STF. Auxiliares do presidente desconfiaram que Moraes teria atuado contra a aprovação do nome escolhido por Lula.
O tom mais crítico já era adotado pelo presidente desde o início do ano. Em 8 de maio de 2026, ele disse ter alertado Moraes para não deixar Daniel Vorcaro destruir sua biografia.
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