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Andrei nega espionagem e diz que mandou relatório a mando de Moraes

Radar Olhar Aguçado(há cerca de 2 horas)

O diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues, negou nesta 6ª feira (11.set.2026) que o relatório de inteligência sobre o ministro André Mendonça tenha sido uma investigação ilegal. Em resposta ao presidente do Supremo Tribunal Federal, Edson Fachin, o diretor-geral disse que o documento só foi compartilhado por ordem expressa do ministro Alexandre de Moraes, então relator do inquérito das fake news.

Em 17 páginas, Andrei Rodrigues afirma que a decisão de André Mendonça na última 3ª feira (8.set.2026), que o afastou cautelarmente do cargo, se baseou em uma “interpretação equivocada” da atividade de inteligência da PF (Polícia Federal).

Segundo ele, não houve espionagem contra Mendonça ou contra o advogado-geral da União, Jorge Messias. Para o diretor-geral, a atividade de inteligência não pode ser confundida com as investigações criminais. Andrei afirma que os relatórios de inteligência não imputam fatos sobre as pessoas.

“Não existiu, em absoluto, qualquer monitoramento ilícito de ministro deste E. STF e tampouco do Ilmo. advogado-Geral da União. Os documentos que foram questionados pela decisão proferida na Pet 16662 não são decorrentes de ações de vigilância, coleta clandestina de dados, ou qualquer medida invasiva”, declarou.

A petição afirma que o relatório de inteligência que aponta possíveis irregularidades na condução dos inquéritos do Banco Master por Mendonça são “análises de cenários” com base em informações e interesses jornalísticos.

“Note-se que não se pode confundir o registro e análise de fatos institucionais conhecidos pela equipe no curso regular de seu trabalho com um monitoramento, que pressupõe acompanhamento de forma dirigida e contínua”, declarou Andrei.

O diretor-geral conclui afirmando que, ao contrário do que foi alegado por Mendonça, o relatório de inteligência tinha a devida identificação. O documento só não foi assinado por um “reflexo do dever de proteção dos profissionais de inteligência“.

Com relação ao conteúdo, é importante destacar que os relatórios foram produzidos no plano da autonomia inerente ao exercício das funções de policiais e são plenamente legítimos“, afirmou.

ENTENDA

Na 4ª feira (9.set.2026), o presidente do STF, Edson Fachin, deu uma resposta conjunta diante das decisões de Mendonça, Moraes e Flávio Dino na crise envolvendo possíveis investigações de ministros do Supremo.

O presidente do STF decidiu:

  • marcar para 15 de setembro o julgamento do pedido de investigação contra Alexandre de Moraes;
  • suspender a decisão de Mendonça que afastou o diretor-geral da Polícia Federal na 3ª feira (8.set.2026);
  • suspender a decisão do ministro Flávio Dino que recolocou Andrei Rodrigues na chefia da PF nesta 4ª feira (9.set.2026);
  • retirar de Alexandre de Moraes a relatoria do inquérito das fake news.

“Quando notícias e fatos aventados possam lançar dúvida sobre a higidez de seu funcionamento, é dever e de interesse de todos e de cada um dos membros deste Tribunal esclarecer o que se passou e, no limite, imputar responsabilidades”, declarou.

A crise começou em 1º de setembro, quando o ministro André Mendonça tornou público um relatório da Polícia Federal que identificou conversas entre o fundador do Master, Daniel Vorcaro, e o ministro Alexandre de Moraes. A apuração identificou contratos milionários com o escritório de advocacia da mulher do ministro, Viviane Barci de Moraes, e conversas sobre as investigações envolvendo fraudes no banco. Mendonça pediu que Fachin levasse o caso ao plenário.

No mesmo dia, o procurador-geral da República, Paulo Gonet, pediu a nulidade do relatório da PF, afirmando que Mendonça teria atropelado as investigações.

Em 3 de setembro, Moraes contra-atacou ao apresentar um pedido para investigar Mendonça por “abuso de autoridade”. Usando o inquérito das fake news, Moraes cita um “relatório de inteligência” contra Mendonça para afirmar que o colega teria direcionado as investigações da PF contra “adversários”.

Na 6ª feira (4.set.2026), Fachin unificou os 2 pedidos em uma petição única, sob a condução da Presidência. Ele também deu prazo para que Mendonça, Moraes, o procurador-geral da República, Paulo Gonet, e o diretor-geral da PF, Andrei Rodrigues, prestassem esclarecimentos.

Poucos dias depois, na 3ª feira (8.set.2026), Mendonça apontou ilegalidades na produção do relatório de inteligência elaborado pela PF e citado por Moraes. O relator do inquérito do Master afastou cautelarmente o chefe da PF da função. No mesmo dia, a AGU (Advocacia Geral da União) recorreu da decisão a Fachin.

Na manhã desta 4ª feira (9.set.2026), em articulação com o Palácio do Planalto, o ministro Flávio Dino, relator de inquérito sobre desvio de emendas para o filme “Dark Horse”, contrariou a decisão de Mendonça e reintegrou o diretor-geral à corporação.

Diante das 3 decisões, Fachin revogou as 2 medidas envolvendo o afastamento de Andrei Rodrigues, mantendo o diretor-geral no cargo. Ele também retirou Moraes da relatoria do inquérito das fake news e decidiu pautar o pedido de Mendonça para investigar Moraes.

O plenário vai analisar, em sessão aberta do STF em 15 de setembro, o pedido de investigação contra Alexandre de Moraes.


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