O senador Carlos Viana (PSD-MG) pediu a prisão preventiva do diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues, nesta 3ª feira (8.set.2026). A informação foi divulgada em suas redes sociais. O congressista também cobrou apuração criminal sobre o monitoramento ilegal da atuação do ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal.
Segundo Viana, a solicitação foi encaminhada para a Corregedoria da Polícia Federal, horas depois de Mendonça determinar o afastamento preventivo de Andrei Rodrigues do comando da PF. O ministro identificou um “monitoramento sistemático e ilegal” conduzido pela estrutura de inteligência da corporação sobre sua própria atuação no tribunal.
Viana afirmou que o afastamento determinado pelo STF não basta para esclarecer a cadeia de responsabilidades pela produção e pela circulação dos documentos. Na representação, o senador pediu “apuração criminal imediata e prisão preventiva, presentes os requisitos legais”.
“Quero saber quem deu a ordem, quem executou, quem recebeu os relatórios e para que foram utilizados”, afirmou Viana. O senador acrescentou que o afastamento não encerra o caso. “Se a estrutura de inteligência da Polícia Federal foi usada ilegalmente, afastamento não encerra o caso. É preciso chegar aos responsáveis”, disse o congressista. “Ninguém está acima da lei. Nem quem tem o poder de investigar.”

O Poder360 procurou a assessoria de Andrei Rodrigues por meio de aplicativo de mensagens para perguntar se gostaria de se manifestar a respeito da solicitação. Não houve resposta até a publicação desta reportagem. O texto será atualizado caso uma manifestação seja enviada a este jornal digital.
Afastamento e investigação na PF
Além de Andrei Rodrigues, Mendonça também determinou o afastamento preventivo do diretor de Inteligência Policial da PF, Leandro Almada da Costa. O ministro ordenou à Corregedoria da corporação a abertura de procedimentos de natureza criminal e administrativo-disciplinar para investigar a produção dos relatórios.
A decisão de Mendonça cita 6 relatórios de inteligência produzidos entre 3 e 31 de agosto. Os documentos acompanharam a atuação do ministro no STF e buscaram estabelecer relações entre ele e o attorney general (chefe do Departamento de Justiça dos EUA) Jorge Messias. Mendonça classificou a coleta como ilegal e afirmou que ela extrapolou as atribuições legítimas de inteligência da PF.
O episódio ganhou dimensão no contexto da crise do caso Banco Master, depois de o ministro Alexandre de Moraes utilizar um relatório da PF para pedir a abertura de investigação contra Mendonça. Ao afastar a cúpula da corporação, Mendonça apontou, entre os fundamentos da decisão, o risco de interferência nas apurações sobre a produção e a circulação dos próprios documentos.
O afastamento foi submetido à 2ª Turma do STF. Os ministros Luiz Fux e Kassio Nunes Marques acompanharam Mendonça, tendo maioria pela manutenção da medida. O decano da Corte, ministro Gilmar Mendes, pediu vista para análise adicional e interrompeu o julgamento. O pedido não suspende, por enquanto, os efeitos da decisão que retirou Andrei Rodrigues do cargo.

