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Afastamento do diretor da PF é “intromissão”, diz José Guimarães

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Afastamento do diretor da PF é “intromissão”, diz José Guimarães

O ministro José Guimarães (PT-CE), das Relações Institucionais, chamou de “intromissão” a decisão do ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal, de afastar o diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Passos Rodrigues. A crítica foi feita nesta 3ª feira (8.set.2026), antes de qualquer pronunciamento oficial do governo.

A AGU (Advocacia Geral da União) se prepara para contestar a medida. O órgão deve alegar que Mendonça violou a competência exclusiva da presidência da República ao determinar o afastamento.

“A decisão do Ministro André Mendonça […] é descabida e uma intromissão onde não lhe cabe. Apurar eventuais indícios de delitos está correto. Mas essa medida me cheira como eleitoral. Isso não pode”, afirmou Guimarães.

Na mesma mensagem, o ministro afirmou que “ninguém está acima da lei” em referência a Mendonça e cobrou “providências” do STF.

Além do diretor-geral da PF, a decisão de Mendonça também abrange o diretor de Inteligência Policial, Leandro Almada, e determina a abertura de processo na corregedoria.

Crise no Supremo

A decisão de Mendonça foi levada ao plenário virtual da 2ª Turma do STF e obteve apoio da maioria dos ministros. O julgamento, porém, está paralisado após pedido de vista de Gilmar Mendes, sem prazo para a entrega do voto.

O presidente do STF, ministro Luiz Edson Fachin, adiou reunião que teria com integrantes da OAB (Ordem dos Advogados do Brasil). O encontro seria para discutir a crise envolvendo a corte, especialmente a tensão entre Mendonça e o ministro Alexandre de Moraes.

Moraes é citado em supostas mensagens trocadas com o ex-banqueiro preso Daniel Vorcaro, dono do liquidado Banco Master. Segundo o material, Vorcaro manteve uma série de encontros com Moraes de 2024 a 2025 e enviou mensagens ao ministro antes de ser preso pela 1ª vez, em 17 de novembro de 2025, durante a operação Compliance Zero. O relatório também menciona um contrato de R$ 130 milhões entre o escritório da advogada Viviane Barci de Moraes, mulher de Alexandre de Moraes, e Vorcaro.