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PL diz que Lula deve agir para não ser conivente no caso Vorcaro-Moraes

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O líder do PL na Câmara, deputado Sóstenes Cavalcante (RJ), afirmou nesta 4ª feira (2.set.2026) que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) precisa tomar providências diante do envolvimento do empresário Daniel Vorcaro com o ministro do STF (Supremo Tribunal Federal) Alexandre de Moraes. Segundo Sóstenes, Lula poderá ser considerado “conivente” caso não tome providências diante do caso.

A declaração foi dada depois que o ministro André Mendonça, do STF, determinou na 3ª feira (1º.set.2026) a retirada do sigilo de uma ação relacionada à investigação sobre o fundador do Banco Master, Daniel Vorcaro, e às mensagens trocadas com Moraes.

A investigação da Polícia Federal envolve contratos que somam até R$ 158 milhões relacionados a Vorcaro e à mulher de Moraes. Segundo a investigação, o empresário também fez pagamentos ao escritório da advogada por meio de aeronaves. Moraes, por sua vez, participou da edição de um contrato de R$ 131 milhões entre o escritório de sua mulher e Vorcaro.

As revelações levaram o PL a ampliar a pressão sobre o governo federal. Além de cobrar o avanço do processo de impeachment contra Moraes, os líderes da sigla defenderam o afastamento do diretor-geral da PF (Polícia Federal), Andrei Rodrigues. Segundo os congressistas, Lula deveria exonerá-lo para garantir uma investigação independente sobre os episódios envolvendo Vorcaro e o STF.

A ligação entre Andrei Rodrigues e Daniel Vorcaro envolve a viagem do diretor-geral da PF a Londres, em abril de 2024, para participar de um fórum cujos custos foram bancados pelos organizadores, entre eles o Banco Master, então controlado por Vorcaro.

Durante a estadia, Andrei participou de uma degustação de whisky ao lado de Vorcaro, do ministro Alexandre de Moraes e de outras autoridades. Meses depois, mensagens atribuídas a Vorcaro mostram que o banqueiro procurou Moraes para tratar das investigações contra o Banco Master e pediu que o ministro conversasse com Andrei Rodrigues para tentar adiar uma eventual operação da PF.

Para os líderes do PL, uma eventual demissão de Andrei seria um sinal de que o governo pretende permitir a apuração dos fatos. “Se ele tirar o chefe da Polícia Federal, aí nós vamos entender que a investigação é séria”, declarou Sóstenes a jornalistas.

Impeachment de Moraes

No Congresso, o PL também anunciou novas medidas contra Moraes e integrantes da PF. O partido informou ter assinado, junto a integrantes da oposição, um novo pedido de impeachment contra o ministro. A sigla afirmou ainda que adotará medidas administrativas contra integrantes da PF e apresentará uma reclamação contra o procurador-geral da República, Paulo Gonet.

Segundo os líderes, o objetivo é individualizar as condutas e permitir que os fatos sejam investigados, sem que as instituições sejam desrespeitadas.

O partido também pressiona o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União Brasil-AP), a dar andamento ao pedido de impeachment de Moraes. Os líderes afirmaram que já há mais de 41 senadores favoráveis à abertura do processo. Saiba como é o processo de impeachment de um ministro nesta reportagem.

Relação com Vorcaro

No Senado, o líder do PL, Carlos Portinho (RJ), também cobrou uma reação de Lula diante das suspeitas. Na avaliação do senador, Moraes seria um elo entre Vorcaro e outros integrantes das instituições citadas nas investigações.

Portinho também questionou a permanência de Andrei Rodrigues no comando da PF e associou o diretor-geral ao governo Lula. O senador afirmou que Andrei seria o “elo entre Lula e todo o esquema que é movimentado no STF a partir de Alexandre de Moraes”.

Para Portinho, Lula precisa agir para demonstrar que o governo permitirá o avanço das investigações. “O presidente Lula, se quer guardar o mínimo de sua história, tem que começar agora, porque isso cabe a ele, exonerando o chefe da Polícia Federal”, declarou.

O Poder360 procurou o ministro Alexandre de Moraes, do STF, o procurador-geral da República, Paulo Gonet, e a defesa de Daniel Vorcaro para comentar as mensagens e o relatório da Polícia Federal. Não houve resposta até a publicação desta reportagem. O texto será atualizado caso uma manifestação seja enviada a este jornal digital.

RELATÓRIO DA PF

As informações constam de um relatório de 218 páginas produzido pela PF (Polícia Federal) a partir da análise do celular de Daniel Vorcaro, apreendido durante a operação Compliance Zero. O documento reúne mensagens, registros de chamadas, arquivos, contratos e outros dados encontrados no aparelho do fundador do Banco Master.

A operação Compliance Zero foi deflagrada pela PF em novembro de 2025 para investigar suspeitas de fraudes envolvendo a venda de carteiras de crédito do Banco Master ao BRB (Banco de Brasília). Vorcaro foi preso na 1ª fase da operação, em 18 de novembro de 2025.

O relatório foi elaborado a pedido do ministro André Mendonça, do STF, para identificar integrantes de uma possível rede de influência e monitoramento atribuída a Vorcaro. A PF entregou o documento em 27 de agosto de 2026.

Parte das mensagens analisadas foi enviada pelo recurso de visualização única do WhatsApp. Por isso, em diversos diálogos reproduzidos no relatório, é possível identificar mensagens enviadas por Vorcaro, mas não conhecer o conteúdo das respostas do interlocutor. No caso das conversas com o contato identificado como “Alexandre de Moraes BRASILIA”, isso impede reconstruir integralmente parte dos diálogos.

A própria PF afirma que a análise “não possui caráter exaustivo”, porque foi realizada no prazo de 72 horas determinado para atender à requisição judicial. Segundo a corporação, podem existir outras citações ou referências indiretas ainda não identificadas pela equipe policial.

O conteúdo veio a público nesta 3ª feira (1º.set.2026), depois que Mendonça derrubou o sigilo da ação. Leia aqui todos os documentos.


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