O ministro de Minas e Energia, Alexandre Silveira, defendeu nesta 4ª feira (2.set.2026) o uso do gás natural para abastecer data centers no Brasil. A declaração foi dada um dia depois de o Senado aprovar o Redata (Regime Especial de Tributação para Serviços de Datacenter), com uma flexibilização das fontes de energia autorizadas a suprir os empreendimentos beneficiados.
“Eu sou um defensor do gás natural”, afirmou. “O Redata foi um grande avanço para que a gente possa implementar grandes data centers no Brasil e eu acho que o gás natural também é uma frente.”
O texto aprovado pela Câmara em fevereiro determinava que 100% da demanda elétrica dos data centers fosse atendida por fontes “limpas ou renováveis”. O Senado alterou a redação para permitir o uso de fontes “renováveis ou de baixa emissão”.
A definição de fonte de baixa emissão ficará a cargo do governo e deverá considerar o impacto ambiental e a liberação de gases de efeito estufa. A mudança abre espaço para fontes não renováveis, como a nuclear, e para a eventual inclusão do gás natural.
Durante a tramitação no Senado do marco regulatório, o senador Esperidião Amin (PP-SC) apresentou uma emenda para incluir expressamente geradores movidos a gás natural ou biometano entre as fontes admitidas. O trecho foi rejeitado pelo relator Cid Gomes (PSB-CE).
Silveira disse que os Estados Unidos estão desenvolvendo 6,5 GW de geração termelétrica a gás para atender data centers. Ele também defendeu a redução do preço do combustível no Brasil, o aumento da oferta nacional e a exploração de reservas de gás não convencional, inclusive com o uso de fracking —técnica de fraturamento hidráulico de rochas, banida de alguns Estados do país.
“Não justifica a gente falar que nós estamos preservando ou não considerando o gás uma energia de transição, sendo que nós somos o maior importador de gás de fracking dos Estados Unidos”, declarou.
O STJ (Superior Tribunal de Justiça) julgará em 9 de setembro um processo que pode definir o futuro do fracking no Brasil. A Corte definirá se a exploração de óleo e gás não convencionais poderá ser autorizada no país e sob quais condições.
