O ministro André Mendonça, do STF (Supremo Tribunal Federal), determinou nesta 3ª feira (1º.set.2026) a retirada do sigilo de uma ação relacionada à investigação sobre o dono do Banco Master, Daniel Vorcaro, e às mensagens trocadas com o ministro Alexandre de Moraes. Leia a íntegra (PDF – 157 kB)
A decisão foi tomada na PET (Petição) 16.662, aberta depois de a PF (Polícia Federal) apresentar novas informações sobre a suposta rede de influência e monitoramento atribuída a Vorcaro na operação Compliance Zero. Mendonça afirmou que os novos elementos deverão ser analisados pelo Plenário do Supremo.
No despacho, Mendonça não cita Moraes nominalmente. O ministro registra que relatórios anteriores da PF reproduziram diálogos encontrados no celular de Vorcaro com “outra pessoa, até então, não identificada”. Reportagem do Estadão publicada nesta 3ª feira identificou Moraes como o interlocutor das mensagens.
Segundo a decisão, a PF considera que as mensagens indicam que Vorcaro teve conhecimento antecipado da investigação que resultou em decisão da 10ª Vara Federal do Distrito Federal.
Os investigadores afirmam ainda que os diálogos indicariam que o banqueiro teve acesso prévio a informações sobre investigações criminais e apurações no Banco Central que poderiam prejudicá-lo e que estavam próximas de serem analisadas pelo Judiciário e pela diretoria da autoridade monetária.
A PF também trabalha com a hipótese de que Vorcaro buscava intervenção junto a autoridades públicas envolvidas nesses processos decisórios.
REDE DE INFLUÊNCIA
Mendonça afirmou que a PF apresentou, durante as investigações, indícios de que Vorcaro teria montado uma “rede de monitoramento e influência”, com potencial infiltração em altas instâncias de diferentes instituições públicas.
Segundo o documento, a estrutura daria ao banqueiro capacidade de obter informações sigilosas que poderiam orientar mudanças de estratégia em seus negócios e até a elaboração de um plano de fuga caso suas atividades fossem descobertas pelas autoridades.
Os diálogos foram encontrados durante a análise técnica do celular apreendido com Vorcaro. As informações produzidas a partir desse material já haviam sido usadas pela PF para embasar etapas anteriores da Compliance Zero, incluindo a 3ª fase, realizada em 4 de março, e a 6ª fase, deflagrada em 14 de maio.
Segundo Mendonça, apesar das diligências realizadas, ainda não havia, até então, informações nos autos sobre a identificação de todos os integrantes da suposta rede.
O ministro pediu à PF uma atualização sobre o estágio das investigações, especialmente sobre a identificação de pessoas que fariam parte da estrutura atribuída a Vorcaro. A corporação apresentou novas informações, acompanhadas de 4 documentos.
Depois de uma análise preliminar, Mendonça determinou que esse material fosse retirado do processo original e transferido para uma petição autônoma, dando origem à PET 16.662. Em seguida, abriu vista à PGR (Procuradoria Geral da República) para manifestação.
JULGAMENTO NO PLENÁRIO
Mendonça afirmou que, independentemente da posição que vier a ser apresentada pela PGR, os novos elementos terão de ser submetidos ao Plenário do STF.
Segundo o ministro, caberá ao colegiado analisar “de modo técnico e estritamente jurídico” as informações apresentadas pela PF.
Mendonça também determinou que a análise seja realizada publicamente, em sessão presencial. A data será definida pelo presidente do STF.
O ministro fundamentou a decisão no princípio constitucional da publicidade dos atos do Poder Judiciário e afirmou que, diante do interesse público das informações, não seria possível manter o processo sob sigilo.
Ao final do despacho, Mendonça determinou: “o levantamento do sigilo dos presentes autos”. A decisão foi assinada nesta 3ª feira (1º.set).
Leia mais:
