O secretário-executivo do Ministério do Planejamento e Orçamento, Guilherme Mello, afirmou nesta 3ª feira (1º.set.2026) que a ampliação do acesso ao crédito no Brasil trouxe desafios relacionados ao endividamento das famílias. Segundo ele, o país avançou na inclusão financeira, mas agora precisa discutir a qualidade do crédito concedido e criar condições para que os consumidores se endividem de forma sustentável.
“O desafio já não é mais tanto quanto no passado da inclusão, mas sim o da qualidade do crédito e a qualidade dessa inclusão”, declarou Mello durante o evento Zetta Summit 2026, realizado em Brasília (DF).
O secretário afirmou que o crédito era, há algumas décadas, um “bem de luxo” no Brasil, acessível principalmente a pessoas com renda. Para ele, a expansão da bancarização e a digitalização do sistema financeiro ampliaram o acesso da população ao mercado de crédito.
Segundo Mello, esse processo foi favorecido pela estabilização da economia depois do período de hiperinflação e pelos avanços na geração de emprego e renda. “Nós estamos hoje com a menor taxa de desemprego, maior nível de massa salarial. Tudo isso ajuda”, afirmou.
Ao mesmo tempo, ele disse que parte dos consumidores que entrou recentemente no sistema financeiro ainda não tem experiência para administrar dívidas. Citou, como exemplo, a quantidade de cartões de crédito mantida pelos brasileiros.
Mello defendeu que a educação financeira seja acompanhada de medidas regulatórias. Segundo ele, a formação dos consumidores não é um processo imediato.
O secretário citou o Desenrola como exemplo de uma política criada para reduzir os efeitos do elevado endividamento. Disse que o programa buscou atender pessoas que contrataram dívidas acima de sua capacidade de pagamento ou recorreram a linhas de crédito mais caras.
Mello também mencionou o Crédito do Trabalhador. Segundo ele, a iniciativa foi criada depois da identificação de que trabalhadores com carteira assinada recorriam a linhas mais caras, apesar de terem condições de acessar crédito com custos menores.
“Era que muito trabalhador CLT tomava linhas de crédito muito caras, sendo que ele é CLT, ele tem um nível de estabilidade que lhe permite, eventualmente, tomar uma linha mais barata”, declarou.
Para o secretário-executivo, a próxima etapa da chamada cidadania financeira deve ser voltada à capacidade dos consumidores de administrar o endividamento. Ele citou a expansão do Pix, dos bancos digitais e de programas públicos de crédito como parte do processo de inclusão financeira.
“Nós temos que olhar com muita atenção a capacidade e a qualidade desse crédito”, afirmou. “Para evitar que, principalmente, aquelas pessoas que entraram muito recentemente no mercado de crédito e não têm essa cultura de manejar suas finanças a partir do endividamento, tenham segurança para se endividar com solidez, com sustentabilidade”, declarou.
ZETTA SUMMIT
O Zetta Summit está em sua 1ª edição. Reúne CEOs, executivos C-Level, autoridades, reguladores, formuladores de políticas públicas, investidores, empreendedores e especialistas para debater os desafios e as oportunidades que moldarão a próxima década da inovação financeira no Brasil.
Conta com convidados como Roberto Campos Neto, ex-presidente do BC, Ailton de Aquino, diretor do BC, Rogério Ceron, secretário-executivo do Ministério da Fazenda, e Guilherme Mello, secretário-executivo do Ministério do Planejamento e Orçamento.
Assista aos painéis do Zetta Summit:


