Embora tenha ficado de fora do plano de governo apresentado pela candidatura do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), a proposta de tarifa zero para o transporte público nas cidades seguirá no radar do entorno do petista e pode vir a avançar em um eventual 4º mandato. A avaliação é de , assessor na Secretaria Nacional de Mobilidade Urbana do Ministério das Cidades e integrante da equipe que trata de mobilidade urbana na campanha de Lula à reeleição.
O assessor falou com jornalistas depois de participação no evento Conexão ANPTrilhos, em Brasília, nesta 4ª feira (26.ago.2026).
Gama classifica a política da tarifa zero como “complexa e muito estruturante” e afirma que a discussão deve voltar ao governo caso o petista fique mais 4 anos no Palácio do Planalto.
A proposta de tarifa zero estabelece acesso gratuito a transporte coletivo, como ônibus e metrô, eliminando a cobrança de passagem na catraca para os usuários. A medida já foi defendida por Lula e integrantes da cúpula do governo nos últimos anos. O ex-ministro da Fazenda Fernando Haddad (PT) disse recentemente que o ministério ainda estuda formas de viabilizar a política com neutralidade fiscal.
Dentro do Ministério das Cidades, Giancarlo Gama é um dos responsáveis pelos estudos sobre essa possibilidade. Segundo o assessor, o fato de a proposta ainda não ter entrado no plano de governo de Lula não significa que a medida não possa avançar dentro de um 4º mandato.
“Estruturar a tarifa zero é uma complexidade muito grande, mas com certeza o governo do presidente Lula tem olhado para isso com muito carinho. Vários dos stakeholders que estão próximos ao presidente, várias das pessoas que estão próximas ao pacto político que o presidente tem feito, têm cobrado, vários dos partidos têm cobrado para isso”, disse Gama.
Segundo ele, o texto final do plano de governo de Lula é abrangente e estabelece um compromisso político de mais investimento no sistema de transporte público, desde a infraestrutura até a operação, mas “sem grandes comprometimentos nesse momento” em relação à tarifa zero.
“Vai haver uma visão cuidadosa sobre isso. Com certeza, está sendo olhada com carinho. Obviamente, está sendo olhado com carinho”, declarou.
FINANCIAMENTO DE TRANSPORTE COLETIVO
Apesar de o plano de governo de Lula não entrar em detalhes sobre políticas para financiar o transporte coletivo, Gama defendeu algumas possibilidades para alcançar esse objetivo.
Segundo o assessor, são analisados mecanismos para “tributar externalidades negativas do transporte individual”, além de outras medidas que podem entrar no planejamento do próximo governo.
Gama defende uma reestruturação do vale-transporte, que, segundo ele, é a fonte de receita mais confiável que o segmento tem atualmente. E também a destinação de recursos da Cide (Contribuição de Intervenção no Domínio Econômico) sobre combustíveis para o setor, conforme estabelecido no Marco Legal da Mobilidade Urbana.
“Precisamos pensar em mecanismos progressivos de tributação. Hoje o sistema de transporte público é financiado de forma muito injusta pelas pessoas mais pobres. Se a gente tem um sistema que beneficia toda a sociedade, não faz sentido que as pessoas mais pobres paguem por isso. A gente precisa reorganizar, seja os nossos tributos, seja a estrutura de financiamento da política de transporte, para que a gente cobre mais de quem tem mais e menos de quem tem menos”, declarou.
