O governo de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) se esforça para conseguir liberar mais produtos brasileiros das sobretaxas de Donald Trump (Partido Republicano) aplicadas em julho. A ideia é avançar na lista de exceções antes de discutir a reversão total da sobretaxa de 37,5%.
A reunião entre o ministro Márcio Elias Rosa e o representante comercial dos EUA, Jamieson Greer, será por videoconferência na segunda (31.ago.2026), às 14h30. É o 1º contato direto entre as equipes desde que as tarifas entraram em vigor.
A tarifa de 25% foi justificada pelos EUA com a alegação de que práticas comerciais brasileiras prejudicam o comércio bilateral. A segunda cobrança, de 12,5%, resultou de investigação sobre fiscalização de produtos ligados a trabalho forçado na cadeia de importação.
ETANOL E AÇÚCAR
Não há expectativa de que o impasse seja resolvido antes das eleições brasileiras em outubro. Mas um dos pontos a serem discutidos envolve o etanol.
Em julho, o Brasil chegou a apresentar ao USTR (Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos) uma proposta de redução de tarifas de importação em cerca de 300 linhas de produtos, concentrada em itens de baixa produção nacional, como maquinário e tecnologia da informação. A ideia era abrir espaço para bens americanos sem afetar a indústria brasileira.
O etanol entrou na mesa, mas com uma contrapartida: qualquer redução da tarifa brasileira sobre o produto americano dependeria de os EUA baixarem as barreiras hoje aplicadas ao açúcar do Brasil –superiores a 100% acima da cota anual de 150 mil toneladas. Essa vinculação já havia sido colocada como condição pelo próprio presidente Lula.
Mesmo com a proposta de abertura de mercado sobre a mesa, os EUA mantiveram a aplicação da tarifa de 25% a partir de 22 de julho.
Diante do impasse, o governo Lula abriu consultas na OMC (Organização Mundial do Comércio) contra as medidas norte-americanas e iniciou o processo previsto na Lei da Reciprocidade Econômica.
LULA X TRUMP
O reinício das tratativas veio depois de um telefonema entre Lula e Trump que durou cerca de 1h20 e teve as tarifas como assunto principal.
Apesar do novo canal aberto, não há sinalização de acordo definitivo –que deve ficar para depois das eleições.
Lula e Trump devem se encontrar em Nova York, na 2ª quinzena de setembro, durante a Assembleia-Geral da ONU. A passagem do presidente brasileiro pela cidade deve ser breve, às vésperas das eleições no Brasil.
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