A Nasa divulgou na 3ª feira (18.ago.2026) imagens da cratera deixada em 5 de agosto pelo impacto do estágio superior de um foguete Falcon 9, da SpaceX, na Lua. As fotografias foram feitas de 11 a 12 de agosto pelo Orbitador de Reconhecimento Lunar (LRO, na sigla em inglês).
O foguete da SpaceX colidiu com a superfície da Lua a uma velocidade de cerca de 8.700 km/h. O impacto se deu depois de o objeto vagar pelo espaço sem destino por mais de 1 ano. Cientistas da agência espacial norte-americana disseram que a cratera tem 18 metros de largura e menos de 3 metros de profundidade, de acordo com o comprimento de sua sombra.
A localização do impacto exigiu coordenação global entre especialistas e amadores. Astrônomos independentes identificaram inicialmente a trajetória do foguete usando dados disponíveis publicamente.
O Centro de Estudos de Objetos Próximos à Terra da Nasa refinou a trajetória até identificar o local do impacto e forneceu a informação à Coreia do Sul, para a sua equipe da sonda lunar Korea Pathfinder (Danuri). A equipe utilizou a câmera LUTI (Lunar Terrain Imager) de alta resolução da Danuri algumas horas depois para fotografar a cratera, constatando que a previsão tinha uma precisão de cerca de 0,6 milhas.
Depois de capturar imagens da cratera, a missão Danuri enviou as coordenadas para a equipe da Nasa. Comparando as novas imagens da cratera com as imagens anteriores ao impacto, os cientistas atualizaram as coordenadas do centro da cratera para 19,4759°N, 266,7138°E, 511 metros de altitude.
Para capturar as imagens do impacto, os engenheiros inclinaram a espaçonave para que suas câmeras apontassem para a cratera sempre que a LRO passasse a 96 km acima da Lua, viajando a 1,6 km por segundo.
O LRO dá uma volta ao redor da Lua, de polo a polo, a cada duas horas, enquanto o satélite natural gira abaixo dele. Para fotografar um ponto específico, a espaçonave precisa esperar até que esse local esteja visível, o que levou 6 dias neste caso, segundo a Nasa.
As fotografias registraram diferentes ângulos da cratera e revelaram características distintas, como faixas mais claras e mais escuras que se estendem ao redor da área atingida.
A Nasa disse que as faixas escuras são formadas por poeira e rochas da superfície lunar que foram alteradas ao longo do tempo pelo vento solar, pelos raios cósmicos galácticos e pelos impactos de micrometeoritos. Esse material foi expelido pela colisão a partir de cerca de 45 cm abaixo da superfície. Já as faixas mais claras que contornam a borda da cratera são compostas por material recente, escavado de camadas mais profundas do subsolo.
Eis as imagens:



ENTENDA
O Falcon 9 envolvido no impacto foi lançado em janeiro de 2025. Depois de cumprir sua função de colocar 2 módulos em trajetória lunar, o estágio superior ficou sem combustível suficiente para retornar à Terra ou corrigir sua rota.
A partir desse ponto, o objeto passou a vagar sem controle até que a gravidade lunar e a atividade solar o atríram definitivamente para a superfície.
Apesar de não ser um caso planejado, a Nasa disse que o descarte dos estágios superiores na superfície lunar é um método aceito e seguro.


