O governador de São Paulo e candidato à reeleição pelo Republicanos, Tarcísio de Freitas, afirmou nesta 4ª feira (19.ago.2026) que um aumento de 1% no salário dos professores da rede estadual representa uma despesa adicional de quase R$ 500 milhões por ano. A declaração foi feita durante sabatina à rádio Jovem Pan, ao ser questionado sobre a remuneração dos docentes paulistas.
O governador afirmou que São Paulo está entre a 16ª e a 17ª posição no país em termos de vencimento dos professores. Segundo ele, a rede estadual tem mais de 200 mil docentes ativos, o que amplia o impacto dos reajustes sobre as contas públicas.
“Quando você dá 1 ponto de aumento percentual, a gente tá falando em quase R$ 500 milhões de despesa a mais, e é todo ano, e o impacto que isso vai ter na Previdência”, afirmou.
“Eu adoraria pagar o melhor salário do Brasil para os professores e acho que eles merecem”, disse o governador.
Remuneração
Um levantamento elaborado pelo Movimento Profissão Docente e divulgado em janeiro de 2026 comparou os salários iniciais e finais dos professores da rede pública de ensino por unidade da Federação em 2025. Leia a íntegra (PDF – 3,5 MB).
A remuneração inicial, sem gratificações, de um professor da rede pública estadual de São Paulo em jornada de 40 horas semanais era de R$ 5.565. O valor ficou abaixo da média nacional, de R$ 6.212,36. Mato Grosso do Sul liderava o ranking, com R$ 13.007,12.
Na remuneração final, que considera a progressão salarial ao longo da carreira, São Paulo tinha remuneração de R$ 14.469, acima da média nacional, de R$ 9.799,54. Nesse quesito, os professores paulistas ficavam atrás dos profissionais de Mato Grosso do Sul, Ceará e Tocantins.
Uso de tecnologia
O candidato também reconheceu como “crível” a crítica de professores e coordenadores de escolas estaduais sobre o uso de ferramentas tecnológicas e as metas estabelecidas pela Secretaria de Educação, sob o comando do secretário Renato Feder.
O governador afirmou que o objetivo para adotar essas ferramentas é auxiliar professores e alunos, mas admitiu que algumas medidas podem ter provocado “engessamento”. “A ideia nunca foi engessar, a ideia foi flexibilizar”, disse.
Tarcísio disse que o governo está revendo a estratégia de uso das plataformas para dar mais flexibilidade aos professores. Citou ferramentas para preparação para o Enem, matemática, redação e dever de casa, além do programa Multiplica, em que professores tutores discutem estratégias pedagógicas com colegas.
IDEB
Questionado sobre a queda de São Paulo no Ideb (Índice de Desenvolvimento da Educação Básica) do ensino médio na rede pública, que colocou o Estado na 10ª posição nacional em 2025, Tarcísio contestou o recorte. Segundo ele, esse dado não considera o ensino médio técnico. Ao agregar as duas modalidades, afirmou que a nota de São Paulo passaria de 4,3 para 4,5 e a posição iria para o 8º lugar.
Tarcísio destacou a expansão do ensino técnico. Segundo ele, quando assumiu o governo, 12% dos alunos do ensino médio estavam nessa modalidade. Atualmente, são 42%.
“A estratégia que está sendo usada aqui é bastante parecida com a estratégia que foi usada no Paraná e levou o Paraná pra 1ª posição do Ideb. Claro que a gente tem que adaptar à nossa realidade”, afirmou.
No ensino fundamental, Tarcísio citou avanços nos indicadores. Segundo ele, o fundamental 1 passou de 6,2 para 6,6, colocando São Paulo na 3ª posição nacional. No fundamental 2, a nota passou de 5,1 para 5,2, mantendo o Estado na 5ª posição.
O governador atribuiu o avanço mais discreto no fundamental 2 ao fato de o programa de tutoria ainda estar em fase piloto, alcançando 10% das escolas. Segundo ele, o programa será ampliado.
Próximo mandato
Entre as medidas que pretende adotar caso seja reeleito, Tarcísio citou a expansão das escolas de tempo integral, dos programas de tutoria e de recuperação da aprendizagem, da alfabetização na idade certa e da formação continuada de professores.
Tarcísio afirmou ainda que pretende ampliar o ensino técnico e reformular cursos do Centro Paula Souza para formar profissionais para áreas como inteligência artificial, semicondutores e baterias.
Na infraestrutura, disse que, quando assumiu o governo, 9 das 5.128 escolas tinham ar-condicionado. Atualmente, são cerca de 1.500. Segundo ele, 3.400 escolas foram reformadas, além da entrega de 169 creches e 84 escolas novas.
Na política de bonificação, afirmou que 180 mil profissionais da educação receberam bônus com base no desempenho dos alunos, totalizando R$ 1 bilhão. Segundo Tarcísio, o programa começou com 60.000 profissionais contemplados no 1º ano.
