O candidato à Presidência da República Flávio Bolsonaro (PL) anunciou nesta 4ª feira (5.ago.2026) o deputado federal Alfredo Gaspar (PL-AL) como seu vice na chapa para o Planalto. O congressista foi alvo, em 27 de março, de uma notícia-crime apresentada à Polícia Federal pela senadora Soraya Thronicke (PSB-MS) e pelo deputado Lindbergh Farias (PT-RJ). A representação atribui a Gaspar a prática do crime de estupro de vulnerável.
A notícia-crime é o registro inicial de uma informação que chega ao Ministério Público ou à Polícia Federal. Serve para que a autoridade analise preliminarmente o caso antes de decidir pela abertura de um inquérito. Leia a íntegra (PDF – 346 kB).
A contestação entre os congressistas começou durante os trabalhos da CPMI (Comissão Parlamentar Mista de Inquérito) do INSS, na qual Gaspar atuava como relator. Em bate-boca no plenário do colegiado, o relator chamou Lindbergh de “Lindinho“. Fora do microfone, Lindbergh chamou Gaspar de “estuprador“. O congressista do PL respondeu chamando o petista de “ladrão” e “corrupto“, além de declarar que o rival teria consumido drogas ilícitas antes da sessão.
A troca de críticas levou a ações no Supremo Tribunal Federal. Soraya e Lindbergh afirmaram ter recebido relatos de que Gaspar teria cometido estupro de vulnerável contra uma adolescente de 13 anos, “possivelmente” ter tido um filho e intermediado repasses financeiros para silenciar o caso.
À época, Gaspar disse que a ação de Lindbergh e Soraya tratava-se de “uma cortina de fumaça” para abafar o seu pedido de indiciamento de Fábio Luís Lula da Silva, filho do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). Segundo o deputado, “quem tem a verdade não teme absolutamente nada”.
Em resposta, Gaspar apresentou queixa-crime no STF e uma representação criminal na PGR (Procuradoria Geral da República) e na PF (Polícia Federal) contra os congressistas. Afirmou que Lindbergh e Soraya cometeram calúnia, denunciação caluniosa, injúria e coação no curso do processo.
Em 28 de março, Gaspar divulgou vídeo gravado pela jovem citada na acusação, no qual ela negou o abuso por parte do deputado e afirmou ser filha do primo do congressista. O congressista realizou o exame de DNA na Polícia Científica de Alagoas para desmentir a suspeita de paternidade.
Eis o vídeo divulgado por Gaspar (1min55s):
Eis o teste de DNA compartilhado pelo deputado:

QUEIXAS TRAMITAM NO STF
Há ainda uma 3ª ação, movida por Lindbergh, no STF. O deputado do PT acusa Alfredo Gaspar de calúnia, difamação e injúria devido a declarações proferidas pelo relator durante as sessões da CPMI e em entrevistas à imprensa.
As queixas-crime mútuas tramitam sob relatoria do ministro Gilmar Mendes, no STF. O magistrado determinou, em 17 de abril, que os 3 congressistas apresentassem esclarecimentos, por considerar que os pedidos cumprem os requisitos formais. Leia a íntegra do despacho de Gilmar Mendes sobre o caso (PDF – 120 kB).
Representações no Conselho de Ética da Câmara e do Senado também foram apresentadas para apurar eventual quebra de decoro. Até a publicação desta reportagem, Gaspar não foi denunciado pela PGR —ato formal em que o chefe do Ministério Público acusa alguém perante o Supremo.
VICE DE FLÁVIO
A definição do vice na chapa se deu depois de meses de negociações. A intenção inicial de Flávio Bolsonaro era indicar uma mulher para reduzir a rejeição no eleitorado feminino. A ex-presidente da Caixa Econômica Federal Daniella Marques esteve entre as cotadas. O Republicanos, partido de Daniella, decidiu manter-se neutro na disputa. O PP e o União Brasil tomaram a mesma decisão, o que reduziu as opções do senador.
“Pela sua história em frente à segurança pública. Alguém que já foi promotor de Justiça, chefe do Ministério Público do seu estado. Alguém que enfrentou e defendeu os nossos aposentados na CPMI do INSS, alguém que pediu a prisão do Lulinha, porque tinha culpa no cartório”, declarou Flávio ao anunciar Alfredo.
RELATÓRIO DA CPMI
O parecer apresentado por Gaspar tinha mais de 4.300 páginas e detalhava suspeitas de fraudes em empréstimos consignados e descontos associativos a aposentados. O texto foi rejeitado por 19 votos a 12. A base governista afirmou que o relatório teve uso político. Congressistas da oposição defenderam o documento.
Sem prorrogação aprovada, a CPMI encerrou os trabalhos sem um relatório final oficial. O presidente do colegiado e congressistas da base enviaram as cópias do texto de Gaspar e do parecer paralelo ao Ministério Público Federal, à Polícia Federal e ao STF.
O Poder360 procurou a assessoria de imprensa de Alfredo Gaspar por meio de mensagem no WhatsApp para perguntar se gostaria de se manifestar a respeito das ações. Não houve resposta até a publicação desta reportagem. O texto será atualizado caso uma manifestação seja enviada.
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