O ministro do STF (Supremo Tribunal Federal) André Mendonça autorizou a realização de buscas e apreensões pela Polícia Federal para apurar a participação do senador Weverton Rocha (PDT-MA) em um suposto esquema de corrupção e lavagem de dinheiro. A investigação começou a partir do cruzamento de dados do celular do senador com informações da operação Sem Desconto, que apura irregularidades em descontos associativos aplicados sobre benefícios previdenciários do INSS (Instituto Nacional do Seguro Social). Leia a íntegra da decisão (PDF – 282,3 kB).
Segundo a investigação, a estrutura operava com circulação de dinheiro em espécie, uso de empresas de fachada e de laranjas, além da compra de bens de luxo registrados em nome de terceiros, como imóveis, aeronaves e propriedades rurais. Os investigadores identificaram repasses fracionados e movimentações financeiras entre contas pessoais de familiares do senador e empresas ligadas ao advogado Willer Tomaz de Souza.
Ao analisar a representação da Polícia Federal, o relator descreveu o papel atribuído aos principais investigados:

Entre os principais bens citados na decisão está uma casa no Lago Sul, em Brasília. Segundo a PF, o senador participou diretamente das negociações para a compra do imóvel por R$ 6 milhões. No entanto, a aquisição foi formalizada em abril de 2023 em nome da WT Administração de Imóveis e Bens S/A, empresa pertencente a Willer Tomaz.
Família e empresa na investigação
A PF também rastreou o envolvimento de familiares de Weverton Rocha. A mulher do senador, Samya Lorene de Oliveira Bernardes Rocha, teria recebido mais de R$ 11 milhões de empresas vinculadas a Willer Tomaz, sobretudo sob a rubrica contábil “AT”, associada ao escritório Aragão e Tomaz Advogados Associados.
As irmãs e a filha do senador também são citadas na investigação. Anna Catarina Viana Rocha atuava no controle financeiro dos postos de combustíveis Petro São Francisco e Petro São José, usados para movimentar recursos. Geyse Rocha Linhares administrava bens rurais e empresas de radiodifusão. Já Shainess Rocha figurava como intermediária de transferências bancárias.
Além da rede familiar, a decisão indica que a operadora financeira Fayla Zulmira Menezes controlava saldos e organizava entregas de dinheiro em espécie a pedido do senador. A PF registrou movimentações de R$ 500 mil, R$ 1 milhão e R$ 1,5 milhão associadas ao uso de aeronaves privadas e voos entre Brasília e o Maranhão. Em 11 de maio, a corporação apreendeu R$ 1 milhão em dinheiro vivo com um suspeito de receber valores destinados a um ex-assessor de Weverton.
O Ministério Público Federal manifestou-se contra as buscas e apreensões. Para o órgão, medidas menos invasivas, como a quebra de sigilos, seriam suficientes para confirmar os indícios patrimoniais. Mendonça, no entanto, autorizou os pedidos da PF por considerar haver risco de destruição de provas e necessidade de apreensão de bens e documentos para esclarecer a divisão de tarefas do suposto esquema.
Outro lado
O Poder360 procurou Willer Tomaz por meio de telefone para perguntar se gostaria de se manifestar a respeito do Operação Sem Desconto. Foram realizadas 6 ligações telefônicas para o advogado na manhã desta 3ª (4.ago). Não houve resposta até a publicação desta reportagem. O texto será atualizado caso uma manifestação seja enviada a este jornal digital.
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