A investigação da Polícia Civil do Distrito Federal (PCDF) sobre o grupo suspeito de planejar atentados em Brasília (DF) durante as eleições de 2026 revelou que os investigados também compartilhavam mensagens de teor misógino em grupos de conversa. Em um dos trechos obtidos pelos investigadores, um dos integrantes afirma que “mulheres não podem ser delegadas, juízas e promotoras porque só fazem besteira”.
Segundo a corporação, esse tipo de manifestação fazia parte das comunicações monitoradas durante a investigação conduzida pela Divisão de Prevenção e Combate ao Extremismo Violento (DPCev), ligada ao Departamento de Inteligência da PCDF.
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Nesta terça-feira (4/8), a polícia deflagrou a Operação Rede Interrompida para cumprir medidas cautelares contra oito investigados, com idades entre 19 e 31 anos. As ações ocorreram em Santa Catarina, Paraná, São Paulo, Pernambuco e Rio Grande do Sul.
O inquérito foi instaurado após o recebimento de um relatório técnico elaborado pelo Ciberlab, laboratório vinculado à Secretaria Nacional de Segurança Pública (Senasp), do Ministério da Justiça e Segurança Pública. A partir desse material, os investigadores aprofundaram a análise das comunicações atribuídas aos suspeitos.
De acordo com a PCDF, as conversas continham referências frequentes a Brasília como destino de uma mobilização planejada para o período eleitoral de 2026.
Os investigados discutiam possíveis invasões de edifícios públicos, seleção de alvos, recrutamento de participantes em diferentes estados e formação tática.
As investigações também apontaram que o grupo compartilhava mapas, plantas arquitetônicas e modelos tridimensionais de prédios localizados na região central da capital federal. Além disso, foram identificados manuais para fabricação de artefatos explosivos, circunstância que motivou a adoção das medidas cautelares para preservar provas e aprofundar a apuração.
Outra operação
A Polícia Civil também cumpriu, nesta terça-feira (4/8), mandados contra suspeitos de participação na morte de uma adolescente de 13 anos que tirou a própria vida durante uma transmissão ao vivo na plataforma Discord.
A investigação aponta que a vítima teria sido induzida, coagida e ameaçada por integrantes do grupo até cometer o ato.
A vítima morava em Naviraí (MS) e morreu em 22 de julho. Segundo o coordenador do Laboratório de Operações Cibernéticas (Ciberlab), Alessandro Barreto, a adolescente foi submetida a uma sequência de desafios antes da morte.
“Eles deram a ela a missão de matar um animal. Como ela não conseguiu cumprir essa determinação, foi obrigada a escrever uma carta de despedida e tirar a própria vida”, afirmou.
Ainda segundo delegado, as duas operações tê em comum o ódio disseminado contra mulheres e meninas.
A jovem foi encontrada sem vida pela mãe, na varanda da residência onde morava com a família.
As investigações apontam que os suspeitos não apenas assistiram à transmissão, como também teriam incentivado a adolescente a continuar com a automutilação e o suicídio. Eles são investigados por induzir, instigar, constranger e ameaçar a vítima durante a live.

