Congressistas do Psol protocolaram, no sábado (1º.ago.2026), representações contra o prefeito de São Paulo, Ricardo Nunes (MDB), depois que ele chamou o candidato a governador do Estado Fernando Haddad (PT) de “professorzinho” durante a convenção do Republicanos realizada na mesma data.
Uma das representações foi encaminhada ao Ministério Público de São Paulo e pede que Nunes se retrate com a categoria dos professores. Assinam a deputada federal Luciene Cavalcante (Psol), o deputado estadual Carlos Giannazi (Psol-SP) e o vereador Celso Gianazzi (Psol-SP). Eis a íntegra (PDF—331KB).
Eis a declaração de Nunes que causou as representações: “Não podemos ter aqui um governador incompetente, que não cuidou da atenção básica, da saúde da mulher, das crianças, da cidade. Um professorzinho de nariz empinado, incompetente e sem vergonha. Vamos dar um coro nesse cara”.
O QUE PEDEM AS REPRESENTAÇÕES
No documento encaminhado ao MP, os signatários argumentam que a expressão foi usada não para descrever a atuação profissional de Haddad, mas como expressão de menosprezo e com juízo depreciativo
Para eles, Nunes transmite a mensagem de que ser professor é condição inferior ou desabonadora. “Quando o próprio prefeito utiliza a palavra ‘professor’ como ofensa, a desvalorização deixa de ser apenas retórica e adquire evidente dimensão institucional”, afirmam no texto.
Os legisladores também encaminharam uma 2ª representação ao Observatório Nacional de Violência contra Professores. Pedem repúdio às falas do prefeito e que o grupo classifique o episódio como caso de violência simbólica contra profissionais da educação. Eis a íntegra (PDF—321KB).
Ao Poder360, Nunes disse que sua declaração não tem “nenhuma referência à profissão dos professores”. Segundo o prefeito, o termo se referia à trajetória política de Haddad.
Eis a íntegra da nota:
“A profissão de professor é uma das mais nobres e, até por essa importância, fiz como prefeito um grande trabalho de valorização da carreira, chamando mais de 17.000 professores do Concurso Público. Esse senhor tirou como prefeito a péssima nota de 1,6 e obteve como candidato à reeleição apenas 16% dos votos, menos que o total de votos brancos e nulos da disputa, então, só pode ser tratado no diminutivo como político. Obviamente minha declaração não tem nenhuma referência à profissão dos professores. Refere-se integralmente ao político.”
