O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) lançou, nesta 4ª feira (29.jul.2026), o plano de prevenção e mitigação dos impactos do El Niño 2026/2027. “O El Niño vai acontecer em breve. Nós estamos preparados. Se ele não acontecer, valeu a intenção de se preparar para enfrentar alguma coisa grave. O que é duro é quando acontece alguma coisa que ninguém está preparado”, declarou Lula durante a apresentação do plano, no Palácio do Planalto.
O governo anunciou um total de R$ 1,335 bilhão para ações de combate aos efeitos do fenômeno climático, que deve provocar seca nas regiões Norte e Nordeste, atraso das chuvas no Centro-Oeste e Sudeste e chuvas acima da média no Sul. O valor destinado ao pacote é resultado de uma folga no Orçamento, apresentada no último relatório Orçamentário. “Nem todos os bloqueios dos ministérios estão voltando para a gente poder atender essas ações”, disse a ministra da Casa Civil, Miriam Belchior.
Segundo o presidente, o governo federal nunca esteve tão preparado para enfrentar um evento climático extremo. Lula também defendeu o envolvimento de governadores e prefeitos na execução das medidas, dizendo que a União não consegue responder sozinha aos desastres climáticos.
A reunião contou com representantes de 24 ministérios e de 6 órgãos e instituições federais: Ibama (Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis), ICMBio (Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade), Inpe (Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais), ANA (Agência Nacional de Águas e Saneamento Básico), Inmet (Instituto Nacional de Meteorologia) e Conab (Companhia Nacional de Abastecimento).
Segundo a ministra da Casa Civil, Miriam Belchior, o governo estruturou uma Sala de Situação do El Niño, integrada pelos 24 ministérios, para monitorar continuamente a evolução do fenômeno e coordenar as ações federais. A estratégia está baseada em 4 pilares: unificação e monitoramento de dados, mapeamento de riscos, antecipação de ações e proteção das populações vulneráveis.
“Certamente nós estamos muito mais bem preparados para enfrentar o El Niño do que nós estávamos quando já enfrentamos uma ocorrência forte desse fenômeno neste mandato”, afirmou a ministra.
Miriam disse que os técnicos do governo projetam um El Niño de forte intensidade e que os impactos serão diferentes em cada região do país.
No Nordeste, o governo afirma que não há previsão de escassez de água em 2026, já que os reservatórios estão com cerca de 53% da capacidade e o Rio São Francisco mantém nível considerado adequado. Ainda assim, Miriam disse que o atraso das chuvas pode causar impactos em 2027, o que exigirá monitoramento permanente e eventual acionamento da Operação Carro-Pipa.
No Sul, a principal preocupação é o risco de enchentes e deslizamentos. O plano inclui sistemas de alerta para chuvas intensas, atuação permanente da Defesa Civil e obras em barragens e diques em parceria com Estados e municípios.
Já no Sudeste, as ações incluem acompanhamento das variações climáticas, monitoramento dos sistemas Cantareira e Paraíba do Sul e gestão do abastecimento de água nas regiões metropolitanas de São Paulo e Rio de Janeiro.
Na Região Norte, o governo também acompanhará o nível dos reservatórios das hidrelétricas. Caso a redução da vazão dos rios comprometa a geração de energia, está previsto o acionamento de usinas termelétricas e medidas para garantir o abastecimento de óleo diesel.
Eis a distribuição do montante destinado ao plano:
- R$ 850 milhões para a compra de 180 mil toneladas de milho e 310 mil toneladas de arroz;
- R$ 337 milhões para prevenção e combate a incêndios;
- R$ 65 milhões para a aquisição de 350 mil cestas de alimentos;
- R$ 45 milhões para os Centros de Informação em Saúde e Clima e a ForSUS (Força Nacional do Sistema Único de Saúde);
- R$ 25 milhões para o monitoramento do nível dos rios;
- R$ 13 milhões para o PAA (Programa de Aquisição de Alimentos) destinado a agricultores da região Norte.
A REUNIÃO
Participam:
- Luiz Inácio Lula da Silva, presidente da República;
- Geraldo Alckmin, vice-presidente da República;
- Miriam Belchior, ministra da Casa Civil.
À direita:
- Wellington César Lima e Silva, ministro da Justiça e Segurança Pública;
- Alexandre Padilha, ministro da Saúde;
- Luciana Santos, ministra da Ciência, Tecnologia e Inovação;
- André de Paula, ministro da Agricultura e Pecuária;
- Alexandre Silveira, ministro de Minas e Energia;
- Mirna Quinderé, ministra das Cidades substituta;
- Tomé Franca, ministro de Portos e Aeroportos;
- Márcio Elias Rosa, ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços;
- Bárbara Oliveira, ministra da Igualdade Racial substituta;
- Eloy Terena, ministro dos Povos Indígenas;
- José Guimarães, ministro da Secretaria de Relações Institucionais;
- Jair Schmitt, presidente do Ibama (Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis);
- Marcelo Marcelino, diretor de Pesquisa, Avaliação e Monitoramento da Biodiversidade do ICMBio (Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade);
- Antônio Miguel Vieira Monteiro, presidente do Inpe (Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais).
À esquerda:
- João Paulo Capobianco, ministro do Meio Ambiente e Mudança do Clima;
- José Múcio, ministro da Defesa;
- Waldez Góes, ministro da Integração e do Desenvolvimento Regional;
- Fernanda Machiaveli, ministra do Desenvolvimento Agrário e Agricultura Familiar;
- Wellington Dias, ministro do Desenvolvimento e Assistência Social, Família e Combate à Fome;
- Dario Durigan, ministro da Fazenda;
- Márcia Lopes, ministra das Mulheres;
- George Santoro, ministro dos Transportes;
- Bruno Moretti, ministro do Planejamento e Orçamento;
- Sidônio Palmeira, ministro da Secretaria de Comunicação Social;
- Cilair Abreu, ministro da Gestão e da Inovação em Serviços Públicos substituto;
- Guilherme Boulos, ministro da Secretaria-Geral da Presidência da República;
- Cristiane Batiston, diretora-presidente interina da Ana (Agência Nacional de Águas e Saneamento Básico);
- Silvio Porto, presidente da Conab (Companhia Nacional de Abastecimento);
- Edivaldo Miranda, diretor do Inmet (Instituto Nacional de Meteorologia).

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