O presidente do Partido Liberal, Valdemar Costa Neto, negou nesta 2ª feira (20.jul.2026) que tenha cota, reserva ou poder sobre o envio de emendas. Em explicação enviada ao Supremo Tribunal Federal, disse que faz “sugestão política formulada após a interlocução com diversos atores da sociedade”. Leia a íntegra (PDF – 810 kB).
Valdemar já havia dito em entrevista ao Poder360 que sua atuação consiste em receber prefeitos, identificar demandas apresentadas pela base do partido e sugerir aos líderes da bancada e aos presidentes de comissões que encaminhem as emendas.
O ministro Flávio Dino determinou em 10 de julho a suspensão do pagamento de R$ 119 milhões em emendas que podem ter sido direcionadas por Valdemar Costa Neto, que não tem mandato no Congresso
No documento enviado ao STF, os advogados Marcelo Bessa e Thiago Fleury disseram que cabe ao partido, inclusive ao seu presidente, “recolher informações, promover debates, articular posições e participar da formação das preferências que mais tarde serão submetidas aos procedimentos estatais e aos órgãos públicos competentes para decidir os destinos das políticas públicas”.
Os advogados afirmaram que “não existe, no Partido Liberal, a figura de ‘emenda do presidente do partido’ como categoria jurídica” e “tampouco existe cessão de titularidade”.
“O que pode existir é uma sugestão política formulada pelo presidente após a interlocução com diversos atores da sociedade, submetida aos filtros e decisões independentes do processo parlamentar regular. Se a sugestão for rejeitada, não há indicação. Se for modificada, prevalece a decisão parlamentar. Se for acolhida, somente produz efeitos porque a liderança, a bancada e a comissão, no exercício de competências próprias, a adotaram e formalizaram”, afirmaram no documento.
ENTENDA
Segundo Flávio Dino, há “indícios convergentes” de que os investigados participavam de um esquema para direcionar irregularmente recursos de emendas.
O ministro afirma que as investigações indicam a atuação coordenada de funcionários da Câmara e de Valdemar Costa Neto no direcionamento das verbas.
A defesa do presidente do PL disse em 10 de julho que a decisão de Dino é “exposição pública prematura da investigação”. Em nota, os advogados afirmaram que “não há nada de criminoso” na articulação de interesses nacionais e regionais por um presidente de legenda. Leia a íntegra da nota (PDF – 48 kB).
