Andy Burnham (Partido Trabalhista) assumiu nesta 2ª feira (20.jul.2026) como primeiro-ministro do Reino Unido. No 1º discurso, prometeu aliviar o custo de vida e defendeu uma maior estabilidade política. Ele é o 7º premiê britânico desde 2016 e o 1º católico em quase 500 anos.
Burnham substitui Keir Starmer (Partido Trabalhista), que renunciou em 22 de junho, depois de 23 meses no cargo. Em seu discurso, disse que esse é um momento de “reflexão e novas resoluções”. Afirmou ser preciso que a sua “geração de políticos eleve o seu nível e esteja à altura do novo desafio”.
Antes do discurso, Burnham se reuniu com o rei Charles 3º, que o convidou a formar um novo governo. O monarca já havia se reunido com Starmer mais cedo, quando o político apresentou sua renúncia.
O agora premiê britânico disse que o Reino Unido “precisa mostrar ao mundo” que pode recuperar a estabilidade. “Esse é o nosso desafio: fazer a política funcionar, fazê-la funcionar melhor. Sei que as pessoas em casa estão fartas da política. Eu os ouço e quero ser honesto com vocês: Não temos sido suficientemente bons e precisamos ser melhores”, declarou.
Burnham falou em “um novo modelo” político e econômico. Afirmou que, na década de 1980, o Reino Unido tomou “alguns rumos errados”. Segundo ele, “o poder político foi centralizado” e “o poder econômico privatizado”. Segundo ele, grandes partes do país foram desindustrializadas e “ainda não se recuperaram”.
Ele declarou: “Muitos sentem que ainda estão em declínio e não têm a capacidade de reverter a situação. E é por isso que mudaremos a política, para torná-la mais colaborativa, mais focada na resolução de problemas do que na busca por vantagens políticas”.
O premiê disse que, a partir de 3ª feira (21.jul), começará a apresentar suas propostas para o Reino Unido.
“Mais tarde, neste ano, apresentarei um novo plano para o Reino Unido, um plano de 10 anos que traçará um caminho desde onde estamos agora até onde acredito que todos queremos que o Reino Unido chegue, independentemente de onde viemos ou do partido que apoiamos”, declarou.
Segundo Burnham, é preciso construir “um Estado mais preventivo, investindo no sucesso das pessoas em vez de pagar pelo fracasso”.
Ele disse qual será seu 1º ato no governo. “Em breve, passarei por aquela porta atrás de mim e darei minha 1ª instrução: acabar com o problema de pessoas dormindo nas ruas do nosso país. Trata-se de colocar os valores e os padrões corretos no centro do governo”, declarou.
O premiê britânico terminou seu discurso dizendo: “Colocarei o cuidado com as pessoas no centro de tudo o que eu fizer. Darei tudo de mim e peço a todos que se juntem a mim nessa luta. Vamos construir um novo senso nacional de unidade, de propósito comum e positividade. Que este seja o momento em que o Reino Unido volte a acreditar, o momento em que tragamos de volta a esperança”.
QUEM É ANDY BURNHAM
Andy Burnham nasceu em Liverpool em 1970, filho de um técnico em telefonia e de uma recepcionista de consultório médico. Cresceu em Culcheth, vila no condado de Cheshire, próxima a Makerfield.
De ascendência irlandesa, estudou em escolas públicas católicas e ingressou na Universidade de Cambridge para cursar Literatura Inglesa. Em Cambridge, conheceu Marie-France Van Heel, nascida na Holanda. Eles se casaram em outubro de 2000 e tiveram 3 filhos.
Depois de se formar, trabalhou como pesquisador de Tessa Jowell, deputada pelo sul de Londres, e depois como assessor de Chris Smith, então secretário de Cultura. Em 2001, foi eleito para representar Leigh, distrito no norte da Inglaterra.
No governo de Tony Blair, tornou-se ministro júnior e foi promovido ao gabinete sob Gordon Brown. Ocupou os cargos de secretário-chefe do Tesouro, secretário de Cultura, Mídia e Esportes e secretário da Saúde.
Em 2009, Burnham foi vaiado durante uma cerimônia em memória dos 20 anos do desastre de Hillsborough, que resultou na morte de 97 torcedores do Liverpool FC esmagados em um estádio. O episódio marcou sua trajetória política. Ele passou a defender uma 2ª investigação depois de a polícia e parte da imprensa atribuírem a responsabilidade às vítimas. A pressão levou à abertura de um novo processo.
Ele disputou duas vezes a liderança trabalhista sem sucesso: em 2010, quando terminou em 4º lugar depois da derrota do partido nas eleições gerais, e em 2015, quando iniciou a disputa como favorito e foi derrotado por Jeremy Corbyn. Desde 2017, construiu sua trajetória política fora de Westminster como prefeito da Grande Manchester.
Burnham é o 1º líder católico do país desde 1558. A última vez que um católico romano ocupou o posto de ministro-chefe da Coroa inglesa foi durante o reinado da rainha Mary Tudor, que tentou reverter a Reforma Anglicana iniciada pelo rei Henry 8º, sem sucesso. O Reino Unido teve premiês ligados à vertente, mas nenhum se declarava católico durante o mandato.
O ex-primeiro-ministro Tony Blair, também do Partido Trabalhista, converteu-se ao catolicismo só depois de deixar Downing Street, em 2007. O conservador Boris Johnson, por outro lado, foi batizado católico, mas assumiu o cargo como anglicano –governando de 2019 a 2022.
Leia mais:
