O média-metragem “Trem do Destino”, inspirado no livro de Marcelo Queiroga (PL-PB), ex-ministro da Saúde do governo Jair Bolsonaro (PL) e pré-candidato ao Senado, foi filmado entre 10 e 14 de julho em Cabaceiras (PA), a “Roliúde Nordestina”. Os atores Rita Guedes e Humberto Martins protagonizam a produção.
O filme parte da obra lançada em maio de 2026, “Eu Venho Lá do Sertão — Um Sertanejo que Nasceu na Praia”, escrita por Queiroga. “O livro tem questões autobiográficas e tem alguns temas que não são necessariamente ligados à minha biografia“, disse o ex-ministro ao Poder360.
Queiroga afirma que, no livro, faz uma análise de como “o bolsonarismo pode criar raízes na região Nordeste” e melhorar sua comunicação com o povo nordestino.
TRAMA NO SERTÃO
A narrativa acompanha Fátima, vivida por Rita Guedes, uma jornalista brasileira de projeção internacional que retorna ao Cariri paraibano depois de décadas longe de sua terra. Humberto Martins vive o artesão do couro, Bento.
“Não é uma história em verde e amarelo. É uma história em tons de sépia, que valoriza as raízes“, descreveu Queiroga, que almeja atualmente uma vaga na Casa Alta. Para ele “o que é arte, o que é cultura, transcende uma questão política, eleitoral”.

“ROLIÚDE NORDESTINA”
Cabaceiras, que é também onde se passa a história, foi escolhida por sua tradição como polo audiovisual e pelas condições que a tornam singular para produções do gênero. “As condições climáticas, a luminosidade, a paisagem característica do Nordeste”, justificou Queiroga.
Lá foram filmadas obras como “O Auto da Compadecida”, que adapta a peça homônima de Ariano Suassuna.
FINANCIAMENTO PÚBLICO
A produção foi feita com financiamento privado. Apesar de não revelar o orçamento, o ex-ministro diz que o custo “não tem nada de outro mundo” e segue o padrão de obras dessa estrutura.
Segundo Thelmo Maia, que dirige o média, não foram captados recursos de empresas ligadas ao setor de saúde, por orientação de Queiroga. O objetivo era “preservar a independência do projeto e evitar potenciais questionamentos sobre conflitos de interesse”.
“Não sou contra o fomento público. Só acho que a destinação tem que priorizar os artistas que são menos conhecidos”, afirmou o ex-ministro.
Queiroga disse que, para alguém como ele, “conseguir Lei Rouanet no atual governo, é muito difícil. Pelo próprio viés que existe hoje no país”.
Segundo ele, houve dificuldade “até mesmo para conseguir atores que aceitem representar uma obra que tem como mentor intelectual alguém fortemente vinculado ao segmento político que a classe artística não é muito simpática”, declarou.
O tema é sensível para setores ligados ao ex-presidente Jair Bolsonaro. Eles criticam o uso da Lei Rouanet e outras ferramentas estatais de incentivo no patrocínio a projetos culturais durante governos petistas.
O filme “Dark Horse”, inspirado na vida de Jair, intensificou a discussão sobre financiamento audiovisual depois do vazamento de um áudio em que o senador e pré-candidato à Presidência, Flávio Bolsonaro (PL), solicita recursos ao fundador do Banco Master, Daniel Vorcaro, para financiar a produção do longa.
Em 2025, o valor liberado por empresas via Lei Rouanet a projetos culturais foi de R$ 3,4 bilhões. As principais beneficiárias foram instituições culturais, como o Masp (Museu de Arte de São Paulo Assis Chateaubriand), a Orquestra Sinfônica de São Paulo e o Instituto Inhotim.
Os projetos culturais precisam ser aprovados antes pelo governo para receber dinheiro pela Rouanet. A verba que as empresas destinam a essas ações deixa de ser paga na forma de impostos.
Apesar de críticas da direita, Luciano Hang, proprietário da Havan e apoiador de Jair Bolsonaro, já defendeu publicamente a Lei Rouanet. Em 2025, a rede de lojas do empresário incentivou cerca de 40 projetos por meio do mecanismo.


