O ex-governador de Minas Gerais e pré-candidato à Presidência Romeu Zema (Novo) responsabilizou o governo de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) pela nova tarifa adicional de 25% anunciada pelos Estados Unidos sobre parte dos produtos brasileiros. A declaração foi dada a jornalistas neste sábado (18.jul.2026), durante o 10º Encontro Nacional do Novo, em São Paulo.
Na avaliação de Zema, a política externa do governo federal criou atritos com Washington. Criticou a aproximação do Brasil com Venezuela, Cuba e Irã, classificados pelo pré-candidato como “nitidamente antiamericanos”, e afirmou que o país “colheu aquilo que foi plantado”.
A tarifa adicional entrará em vigor em 22 de julho de 2026. Café, carne bovina, petróleo e aeronaves estão entre os produtos isentos da cobrança.
Zema afirmou que Lula acumula divergências com os EUA e citou as críticas do presidente ao uso do dólar como principal moeda do comércio internacional. Para o ex-governador, uma eventual troca pelo euro ou pelo yuan não traria benefícios concretos ao Brasil.
O pré-candidato também disse que o governo não teve iniciativa nas negociações com Washington. Comparou a relação comercial com os EUA ao atendimento dado por empresas a clientes importantes. “Você tem de ser proativo. E me parece que nem reativo o Brasil foi, ficou assistindo”, declarou Zema.
Segundo Zema, os efeitos da tarifa recairão sobre o setor produtivo e os pagadores de impostos, não sobre a classe política.
“Nós estamos colhendo aquilo que foi plantado, infelizmente. E quem vai pagar a conta não são os intocáveis de Brasília. Quem vai pagar a conta, mais uma vez, é o Brasil produtivo, o Brasil que acorda cedo e paga impostos”, declarou.
O governo norte-americano baseou a decisão em uma investigação conduzida sob a Seção 301 da Lei de Comércio dos EUA. Entre os temas citados estão o Pix, a regulação das plataformas digitais, políticas ambientais, propriedade intelectual, acesso ao mercado de etanol e outras barreiras comerciais.
O governo brasileiro contestou os argumentos e afirmou que adotará medidas com base na Lei da Reciprocidade, além de recorrer à OMC (Organização Mundial do Comércio). O ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira, disse que o Brasil fez mais de 30 contatos com representantes dos EUA para negociar as tarifas.
