O senador e pré-candidato do PL à Presidência, Flávio Bolsonaro, tirou uma foto com Luiz Philippi Mourão, conhecido como Sicário e apontado como um dos funcionários de Daniel Vorcaro que atuava para intimidar adversários do Banco Master. Ele morreu em 6 de março de 2026, depois de tentar se matar enquanto estava sob a custódia da Polícia Federal.
A imagem foi divulgada nesta 4ª feira (15.jul.2026) pela jornalista Juliana Dal Piva, do site ICL. Na imagem, Flávio está sem camiseta e de óculos escuros. Faz um sinal de joinha. Já Mourão, o Sicário, veste uma camiseta branca. Também está de óculos escuros. Faz um sinal de arminha com a mão direita.
Ao ICL, a assessoria de Flávio disse que ele é uma figura pública e que recebe pedidos de dezenas de pessoas para tirar foto. “Impossível o senador saber quem é cada uma das pessoas que dele se aproxima”, afirmou. A equipe da pré-campanha do filho do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) disse também que a imagem poderia ter sido produzida com inteligência artificial.
A jornalista Juliana Dal Piva informou em sua reportagem que 5 ferramentas (Gemini, Hive Moderation, Sight Engine, Was It AI e Image Whisperer) foram usadas para avaliar se a imagem de Flávio e o Sicário tem indícios de que houve uso de IA. Ela declarou que nenhum sinal havia sido detectado.

Leia a nota da assessoria de Flávio Bolsonaro:
“O senador e pré-candidato à Presidência da República, Flávio Bolsonaro, como figura pública e extremamente popular, recebe todos os dias pedidos de dezenas de pessoas pelas ruas para fotos. Impossível o senador saber quem é cada uma das pessoas que dele se aproxima. Flávio Bolsonaro reafirma que não conhece e nunca viu a pessoa na foto. É irresponsável tentar atribuir qualquer significado pessoal a uma imagem aleatória. Além disso, não se sabe qual a procedência da foto, nem se a imagem é real ou produzida por Inteligência Artificial.”
QUEM ERA O SICÁRIO
Luiz Phillipi Mourão, 43 anos, integrava o “núcleo de intimidação” de adversários e opositores de Vorcaro, segundo a Polícia Federal. Na decisão que autorizou a operação em 4 de março, Mendonça citou duas conversas entre o Sicário e o ex-banqueiro que podem ser interpretadas como intimidação:
- ameaça contra jornalista – Vorcaro fala sobre Lauro Jardim, que trabalha no jornal O Globo, e afirma que “tinha que colocar gente seguindo esse cara pra pegar tudo dele”. O Sicário responde: “Vou fazer isto”. Depois, o banqueiro declara ter vontade de “dar um pau” no profissional;
- ameaça contra empregada – em outra conversa, Vorcaro diz ter sido ameaçado por uma empregada e afirma que “tem que moer essa vagabunda”. O Sicário pergunta o que é para fazer. O banqueiro então diz: “Puxa endereço tudo”.
Eis o que diz o despacho de Mendonça sobre Luiz Phillipi:
- tinha relação direta com Vorcaro;
- recebia R$ 1 milhão por mês por seus “serviços ilícitos” –o valor era pago por intermédio de Fabiano Zettel, também preso na operação desta 4ª feira (4.mar);
- era responsável pela obtenção de informações sigilosas, monitoramento de pessoas e “neutralização de situações consideradas sensíveis aos interesses do grupo investigado”;
- há indícios de que ele acessava e colhia dados de sistemas restritos de órgãos públicos;
- era quem coordenava o grupo conhecido como A Turma, responsável por intimidar as pessoas.
Leia a íntegra da decisão de Mendonça (PDF – 384 kB).
O apelido sicário vem do latim sicarius –sica é uma pequena adaga ou punhal. De acordo com a Agência Pública, o general romano Lúcio Cornéio Sula (138-78 a.C.) usou o termo ao promulgar uma lei para punir principalmente assassinos de aluguel –a Lex Cornelia de Sicariis et Veneficiis.
Atualmente, o termo é associado a um matador de aluguel. No caso do México, por exemplo, costuma ser usado como uma referência a assassinos contratados por cartéis de drogas do país. Também ganhou popularidade com o filme “Sicario: Terra de Ninguém“, dirigido por Denis Villeneuve e protagonizado por Benicio Del Toro.

