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Fazenda projeta inflação fora da meta em 2026

Radar Olhar Aguçado(há cerca de 2 horas)

A SPE (Secretaria de Política Econômica) do Ministério da Fazenda elevou de 4,5% para 5,1% a projeção oficial para a inflação medida pelo IPCA em 2026. A revisão consta do Boletim Macrofiscal divulgado nesta 4ª feira (15.jul.2026). Leia a íntegra do relatório (PDF – 811 kB) e da apresentação (PDF – 1 MB).

A SPE atribuiu a revisão ao aumento das pressões sobre alimentos, serviços e bens industriais, além dos efeitos indiretos da alta do petróleo provocada pelas tensões no Oriente Médio. Apesar da piora na estimativa para a inflação, a SPE manteve em 2,3% a projeção de crescimento do PIB em 2026. 

Segundo o boletim, a atividade econômica segue resiliente, embora o governo espere desaceleração no 2º trimestre depois da expansão de 1,1% registrada de janeiro a março. A expectativa é de crescimento de 0,8% no período, refletindo principalmente a perda de impulso da agropecuária e da indústria.

Na avaliação da equipe econômica, a revisão da inflação decorre só parcialmente dos dados já divulgados. O restante reflete fatores prospectivos, como os efeitos de 2ª ordem do choque do petróleo, a expectativa de alimentos mais pressionados no 2º semestre por causa da possibilidade de um El Niño mais intenso e a deterioração das expectativas do mercado para o IPCA em 2026.

Por outro lado, o boletim afirma que alguns fatores ajudam a conter uma aceleração maior dos preços, como a manutenção da Selic em nível restritivo, a desaceleração esperada da atividade econômica, a queda das cotações internacionais do petróleo considerada na data de corte do relatório e medidas para limitar o repasse dos combustíveis ao mercado doméstico.

No cenário internacional, a SPE afirma que a retomada das tensões entre Estados Unidos e Irã após o encerramento da coleta de dados do boletim elevou novamente o risco para os preços da energia e para a inflação mundial. O documento ressalta que o rompimento do cessar-fogo não foi incorporado às projeções e representa um risco altista para o petróleo e baixista para o crescimento global.

PIB mantido

A projeção de crescimento de 2,3% para 2026 foi mantida porque houve uma recomposição entre os setores da economia. A expectativa para a agropecuária subiu de 1,2% para 1,8%, compensando a revisão da indústria, que passou de 2,2% para 2,1%. A previsão para os serviços permaneceu em 2,4%.

A SPE afirma que a desaceleração esperada para o segundo trimestre não representa perda generalizada de dinamismo, mas o fim do impulso extraordinário da safra agrícola recorde observado no início do ano. Também cita o enfraquecimento gradual do crédito, o aumento da inadimplência e a acomodação do mercado de trabalho como fatores que limitam o ritmo de expansão da economia.

Meta fiscal

O boletim também mostra melhora nas expectativas do mercado para as contas públicas. Segundo o Prisma Fiscal, a mediana da projeção para o deficit primário de 2026 caiu para R$ 58,1 bilhões, equivalente a 0,43% do PIB. Caso essa estimativa se confirme, o governo conseguiria cumprir a meta fiscal, considerando as deduções previstas no relatório bimestral de receitas e despesas.

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