Os Estados Unidos indicaram que devem oficializar nesta 4ª feira (15.jul.2026) a tarifa adicional de 25% sobre produtos brasileiros. O governo Luiz Inácio Lula da Silva (PT) já trabalha com esse cenário, mas aguarda a publicação do ato da Casa Branca para conhecer a lista de exceções antes de definir a resposta.
A avaliação interna é que a lista de produtos poupados será determinante para medir o impacto econômico da decisão e orientar os próximos passos do governo brasileiro. O alcance da medida deverá orientar a posição do Planalto em uma nota à imprensa e a eventual aplicação da Lei da Reciprocidade Econômica –uma das principais hipóteses aventadas.
Diante da expectativa pela publicação da medida, o presidente Lula se reuniu às 10h desta 4ª feira (15.jul) com o ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira, no Palácio do Planalto.
No mesmo horário da reunião com Lula, Vieira deveria ter comparecido à Comissão de Relações Exteriores e de Defesa Nacional da Câmara dos Deputados, em sessão para a qual havia sido convocado para falar sobre o risco de uma eventual ação militar dos EUA em território brasileiro. Vieira havia pedido o adiamento da sessão, mas os deputados mantiveram a data.
NEGOCIAÇÕES FRACASSAM
As equipes do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, do Itamaraty e da Assessoria Especial do Presidente da República tiveram, na 3ª feira (14.jul), a 5ª reunião de alto nível com o representante de Comércio dos Estados Unidos, Jamieson Greer. Não deu em nada. O Planalto já se preparava para as taxações antes do encontro.
O governo do presidente Lula sustenta que a investigação, que originou as tarifas, foi impulsionada pela articulação da família Bolsonaro com aliados de Donald Trump (partido Republicano) nos Estados Unidos e avalia que o processo tem componente político e eleitoral.
A investigação foi aberta pelos Estados Unidos em julho de 2025 com base na Seção 301 para apurar eventuais práticas brasileiras consideradas prejudiciais aos interesses norte-americanos. Além de questões tarifárias, o processo envolve temas como Pix, comércio digital, propriedade intelectual, etanol, combate à corrupção e desmatamento. O governo brasileiro contesta todas as alegações.
O Planalto pretende manter abertas as negociações com Washington mesmo depois da decisão oficializada. Nos bastidores, porém, integrantes do governo avaliam que o avanço das tratativas será dificultado pelo ambiente eleitoral de 2026 e pelo componente político atribuído ao tarifaço –que o Executivo relaciona à aproximação da família Bolsonaro com a Casa Branca.
Os EUA conduziam outra investigação por possíveis falhas no combate ao trabalho forçado em cadeias produtivas. Ela foi aberta em março deste ano e ampliada para incluir o Brasil e outras 59 economias, além da União Europeia. Se também for aplicada, será uma outra sobretaxa, de 12,5%.
