A Comissão de Relações Exteriores da Câmara dos Deputados decidiu nesta 4ª feira (15.jul.2026) enviar à PGR (Procuradoria Geral da República) uma notícia-crime contra o ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira, citando possível crime de responsabilidade.
O chanceler faltou à audiência em que debateria a classificação de organizações criminosas brasileiras como terroristas pelos Estados Unidos. Como havia sido convocado pela comissão, Vieira tinha a obrigação legal de comparecer.
A sessão estava marcada para as 10h. No mesmo horário, o ministro reuniu-se com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) no Palácio do Planalto para tratar da proposta norte-americana de aplicar tarifas de 25% sobre produtos brasileiros. O prazo para as negociações termina nesta 4ª feira (15.jul.2026).
Para justificar a ausência, a assessoria do Ministério das Relações Exteriores enviou um ofício à comissão informando a impossibilidade de comparecimento por conflito de agendas. Segundo a pasta, as convocações demandam diálogo prévio sobre datas. Em 10 de julho de 2026, o ministro já havia enviado um documento sugerindo o adiamento do encontro para o período de 11 a 14 de agosto, intervalo classificado por ele como “mais adequado”.
Os deputados, no entanto, mantiveram a audiência para o dia do encerramento das negociações aduaneiras e criticaram o comunicado enviado pelo Itamaraty.
O vice-presidente da comissão, deputado Marcel van Hattem (Novo-RS), afirmou que o comunicado foi transmitido pela assessoria, e não diretamente pelo ministro, classificando-o como “evasivo e lacônico”. “Não houve confirmação clara ou expressa de não comparecimento. Está flagrante o cometimento de crime de responsabilidade”, declarou o congressista.
O ministro, junto do embaixador Celso Amorim, será convocado novamente pela comissão entre os dias 11 e 12 de agosto. O órgão confirmará a data na próxima sessão, depois do recesso legislativo.
