A senadora Tereza Cristina (PP-MS) afirmou nesta 3ª feira (14.jul.2026) que o Projeto de Lei 2.951 de 2024, que moderniza a política de seguro rural, deve ser votado pelo Senado na 1ª semana de agosto, depois do recesso. A congressista disse esperar que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) não vete trechos considerados essenciais para a implementação da política.
“A gente espera que esses vetos não aconteçam para o bem dessa política de seguro rural, que ajudaria tanto o produtor rural quanto o Brasil”, declarou durante o evento “Semeando Resiliência e Prosperidade — o Seguro Rural que o Brasil Precisa“, promovido pela Meridiana em parceria com a FPA (Frente Parlamentar da Agropecuária) e a FGV Agro.
Entre os pontos que, segundo a senadora, podem enfrentar resistência do Executivo, estão a garantia obrigatória de recursos para o seguro rural, que daria previsibilidade às seguradoras e aos produtores, e a destinação desses recursos a um fundo de catástrofe para cobrir perdas decorrentes de eventos climáticos extremos.
Tereza Cristina defendeu que o seguro rural deixe de cobrir apenas perdas provocadas pelo clima e passe a proteger também a renda do produtor. Segundo ela, o agricultor está exposto às oscilações dos preços internacionais das commodities e precisa de instrumentos para preservar sua receita. A senadora afirmou que modelos desse tipo já existem em outros países e que o Brasil está atrasado na estruturação de uma política de seguro rural.
Questionada sobre a possibilidade de vincular o seguro ao crédito rural, a senadora disse que a medida pode reduzir o custo do financiamento para quem contratar a cobertura. Citou o modelo adotado nos Estados Unidos, mas ponderou que a proposta ainda precisará ser regulamentada e aperfeiçoada depois da aprovação da lei.
Tereza Cristina também criticou o baixo volume de recursos destinados ao programa de subvenção ao seguro rural. Segundo ela, o orçamento atual é insuficiente para um setor que responde por cerca de 30% do PIB e deveria contar com uma política pública mais robusta para ampliar a cobertura e dar previsibilidade aos produtores.
A senadora afirmou que a aprovação da proposta dependerá de vontade política para que as mudanças sejam implementadas. Segundo ela, além da nova legislação, será necessário garantir recursos estáveis e incentivar a adesão dos produtores ao seguro rural para consolidar a política pública.
DÍVIDAS E PLANO SAFRA
Ao comentar a renegociação das dívidas do agronegócio, Tereza Cristina disse esperar que a medida provisória prometida pelo governo tenha alcance amplo. Afirmou que o Plano Safra, por si só, não resolve os problemas enfrentados pelo setor e ressaltou a necessidade de uma solução rápida, já que o atraso no plantio pode impedir o acesso ao seguro rural.
Na avaliação da senadora, o Plano Safra já não atende às necessidades do agronegócio. Segundo ela, o crédito oficial responde por cerca de um terço do financiamento do setor. Tereza Cristina defendeu uma política permanente de seguro rural para reduzir riscos e diminuir a necessidade de renegociação de dívidas. “O Plano Safra não resolve mais o problema da agricultura brasileira já faz tempo”, disse.
A senadora também afirmou que ainda não houve discussão sobre recursos para o seguro rural no Plano Safra 2026/2027. “No Plano Safra deste ano não foi tratado sequer do assunto seguro rural”, declarou.
