A paralisação de caminhoneiros deixou 6 dos 36 navios atracados no Porto de Santos sem operar nesta 3ª feira (14.jul.2026). Segundo a APS (Autoridade Portuária de Santos), outro navio registrava atraso nas operações por causa da mobilização. A informação foi divulgada por meio de nota enviada ao Poder360 às 17h.
O protesto de transportadores rodoviários autônomos de cargas começou na 2ª feira (13.jul) e busca pressionar o Senado a votar a MP (Medida Provisória) 1.343 de 2026, conhecida como MP do Frete. A proposta reforça a fiscalização do piso mínimo do transporte rodoviário e perde a validade na 5ª feira (16.jul) caso não seja aprovada pelo Congresso.
De acordo com a autoridade portuária, não havia bloqueios ao tráfego de veículos nas vias do complexo. Houve, no entanto, redução no fluxo de caminhões em direção ao porto. A APS afirmou que ainda contabilizava o tamanho da queda na movimentação.
O Porto de Santos depende do transporte rodoviário para a entrada e a saída de parte significativa das cargas movimentadas pelos terminais. A redução na chegada de caminhões pode interromper operações de embarque e desembarque quando não há carga disponível ou espaço suficiente para receber novos produtos.
SEGURANÇA REFORÇADA
Na tarde desta 3ª feira (14.jul), a Cesportos/SP (Comissão Estadual de Segurança Pública nos Portos, Terminais e Vias Navegáveis de São Paulo) elevou o nível de segurança do Porto de Santos.
A medida permite eventual atuação da Polícia Militar do Estado de São Paulo no complexo portuário. Segundo a APS, a decisão foi tomada depois do registro de atos isolados de vandalismo desde o início da paralisação.
A autoridade portuária não detalhou os episódios nem informou se houve prisões ou danos à infraestrutura.
MP DO FRETE
A MP 1.343 foi editada pelo governo federal em 19 de março de 2026 com o objetivo de ampliar o controle sobre o cumprimento da Política Nacional de Pisos Mínimos do Transporte Rodoviário de Cargas.
O texto torna obrigatório o cadastramento das operações de transporte e a emissão do CIOT (Código Identificador da Operação de Transporte). A proposta também determina o uso de mecanismos tecnológicos para impedir o registro de fretes contratados abaixo do valor mínimo estabelecido pela ANTT (Agência Nacional de Transportes Terrestres).
A Câmara aprovou a medida em 17 de junho, na forma de um projeto de lei de conversão relatado pelo deputado federal Zé Trovão (PL-SC). O parecer ampliou o alcance da proposta original e incluiu, entre outros pontos, um piso salarial mensal de R$ 5.000 para motoristas empregados em operações de longa distância, a participação de transportadores autônomos em contratações públicas federais e punições mais rígidas para empresas reincidentes no pagamento abaixo da tabela.
O texto também incluiu a conversão em advertência de multas anteriores por descumprimento das regras do frete e anistia às sanções aplicadas a caminhoneiros, motoristas e transportadores que participaram dos bloqueios de rodovias realizados depois das eleições presidenciais de 2022. Foram acrescentadas ainda mudanças relacionadas à fiscalização de excesso de peso e de velocidade.
A MP está em regime de urgência e, até a tarde desta 3ª feira (14.jul), ainda aguardava leitura no Senado. A deliberação precisa ser concluída até 16 de julho.
