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Código de ética, Bolsonaro e eleições pautam STF no 2º semestre

Radar Olhar Aguçado(há cerca de 2 horas)
Código de ética, Bolsonaro e eleições pautam STF no 2º semestre

Com o recesso judiciário, os ministros do STF (Supremo Tribunal Federal) vão julgar uma série de temas que envolvem o sistema político em período coincidente com as eleições. A Corte precisa decidir temas de impacto direto na política, como as eleições suplementares do Rio de Janeiro e de Roraima, além dos trechos na Lei da Ficha Limpa que mudaram o prazo de inelegibilidade.

Além dos inquéritos envolvendo banco Master e as fraudes do INSS, a Corte uma série de pautas pendentes de conclusão, como:

  • Lei da Dosimetria;
  • pejotização;
  • uberização;
  • revisão criminal de Bolsonaro;
  • Código de Conduta.

Na última 5ª feira (2.jul.2026), foi iniciado o recesso forense de meio de ano do Judiciário. O Supremo e todos os demais tribunais voltarão à rotina tradicional de julgamentos a partir do dia 2 de agosto.

Ao longo do recesso, o presidente do Supremo, ministro Edson Fachin, permanecerá responsável pelo plantão judiciário até 19 de julho. Depois, a função ficará sob a responsabilidade do ministro Alexandre de Moraes, que assumirá interinamente a presidência do tribunal.

O plenário do STF ficará sem sessões, mas 8 ministros continuarão atuando nos seus processos. Só a ministra Cármen Lúcia e o ministro Luiz Fux estão de férias durante todo o mês.

DESTAQUES PARA O 2º SEMESTRE

A pauta do plenário do STF para o 2º semestre acumula uma série de temas e investigações. O Poder360 fez uma seleção dos principais casos que deverão ser analisados pelo plenário do STF a partir de agosto.

Pautas dos julgamentos mais relevantes do STF no 2º semestre

CÓDIGO DE ÉTICA

Considerado a principal proposta de gestão de Fachin, o código de conduta para os ministros do STF está sob a relatoria de Cármen desde fevereiro de 2026, quando foi indicada pelo presidente do Tribunal. Fachin já declarou que espera que a proposta seja apresentada ao plenário por sessão administrativa ainda em 2026.

Não há consenso entre os ministros sobre qual é a melhor redação. O ministro Gilmar Mendes tem vocalizado críticas à proposta e considera que o período em que foi apresentada por Fachin, durante a relatoria do ministro Dias Toffoli no inquérito do Banco Master, criou um maior dissenso entre o colegiado.

Contudo, a expectativa é que a maioria dos ministros concorde em discutir um código. A proposta não apenas tem apoio político dos Três Poderes, como também tem apoio popular, que avalia haver poder excessivo do Supremo.

BOLSONARO E 8 DE JANEIRO

O ministro Alexandre de Moraes é relator das ações que questionam a validade da Lei da Dosimetria, que diminui o cálculo das penas dos réus condenados pelos atos de 8 de janeiro. A PGR (Procuradoria Geral da República) já apresentou parecer favorável para manter liminarmente a lei que beneficia o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), condenado a 27 anos de prisão por golpe de Estado.

O dispositivo chegou a ser vetado por Luiz Inácio Lula da Silva (PT), mas o Congresso Nacional decidiu derrubar o veto presidencial.

Além da Lei da Dosimetria, os ministros também deverão analisar no 2º semestre a revisão criminal de Bolsonaro, que está sob a relatoria do ministro Kassio Nunes Marques –indicado pelo ex-presidente ao STF. A revisão criminal será julgada pelo plenário do STF, mas os ministros que participaram da condenação ficam excluídos do julgamento (Alexandre de Moraes, Flávio Dino, Cristiano Zanin, Luiz Fux e Cármen Lúcia).

A PGR já se manifestou contrariamente à revisão da condenação, alegando que o processo de revisão criminal não servirá para rediscutir o mérito da decisão da 1ª Turma do STF. Segundo o parecer, o tipo processual só tem validade quando a condenação contraria a legislação penal.

ELEIÇÕES SUPLEMENTARES

A Corte também analisa duas eleições para mandato tampão de governadores do Rio de Janeiro e de Roraima.

Nos 2 casos, trata-se de governadores que foram cassados pelo TSE (Tribunal Superior Eleitoral), cuja sucessão está vacante. O Rio de Janeiro aguardava o voto-vista do ministro Flávio Dino e já tem placar de 5 a 1 para que o sucessor de Cláudio Castro seja o atual presidente da Alerj (Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro) —escolhido pela via indireta.

Em relação a Roraima, a 1ª Turma do STF precisa julgar o mérito da reclamação constitucional que invalidou as regras das eleições suplementares de junho para o governo interino. O candidato eleito, Arthur Henrique (PL), teve a maioria dos votos, mas está com a candidatura sob judice porque se desincompatibilizou do cargo de prefeito de Boa Vista, a capital, seguindo o prazo de 24 horas —estipulado pelo TRE-RR (Tribunal Regional Eleitoral de Roraima).

A expectativa é que a corte destrave o impasse nos dois casos antes mesmo das eleições majoritárias de outubro de 2026.

OUTROS DESTAQUES DO SEMESTRE

  • uberização – julga se é possível manter o vínculo trabalhista entre motoristas e entregadores com os aplicativos de transporte e delivery;
  • pejotização – julga se é válida a contratação de trabalhadores para “atividade-fim” por meio de contratação como pessoa jurídica;
  • royalties do petróleo: – julga a viabilidade de regras que permitem a redistribuição dos royalties da exploração do petróleo para os demais estados. A relatora, ministra Cármen Lúcia, votou para barrar a lei, e o julgamento está paralisado por causa de um pedido de vista do ministro Flávio Dino;
  • venda de sentenças no STJ – julga a denúncia da PGR contra 9 investigados em esquema de antecipação de minutas de decisões dos ministros do STJ (Superior Tribunal de Justiça) para lobistas.
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