Os cabelos brancos podem deixar de ser permanentes no futuro? Uma pesquisa apresentada durante o World Congress for Hair Research, em Seul, na Coreia do Sul, reacendeu essa possibilidade ao observar sinais de repigmentação dos fios em participantes que utilizaram baixas doses de rapamicina, medicamento já usado em outras áreas da medicina.
Apesar da expectativa, especialistas alertam que ainda é cedo para falar em um tratamento. O estudo envolveu apenas 10 participantes, ainda não foi publicado em uma revista científica com revisão por pares e precisa ser confirmado por pesquisas maiores.
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Para o dermatologista Elson Viana, membro da diretoria da Sociedade Brasileira de Cirurgia Capilar (SBRCC), os resultados ajudam a compreender melhor o envelhecimento dos fios.
“É um resultado interessante porque sugere que talvez seja possível interferir em mecanismos biológicos relacionados ao aparecimento dos fios brancos. Mas ainda estamos diante de uma pesquisa inicial. São necessários estudos maiores para confirmar a eficácia e a segurança dessa abordagem”, afirma.
Como os cabelos ficam brancos?
Os cabelos brancos surgem quando os melanócitos, células responsáveis pela produção da melanina, reduzem ou interrompem a fabricação do pigmento que dá cor aos fios. O processo faz parte do envelhecimento natural, embora fatores genéticos tenham grande influência sobre o momento em que ele começa.
Segundo o dermatologista Fraga Neto, “o cabelo branco aparece quando as células produtoras de melanina diminuem ou deixam de produzir o pigmento responsável pela cor dos fios. Com isso, o fio nasce branco ou acinzentado.”
No estudo, homens e mulheres com menos de 60 anos e até 30% de cabelos brancos receberam baixas doses de rapamicina durante seis meses. Parte dos participantes apresentou aumento da pigmentação capilar já nas primeiras semanas.
Os pesquisadores acreditam que o medicamento atue sobre a proteína mTORC1, ligada ao envelhecimento celular. Ao bloquear sua atividade, os melanócitos poderiam voltar a funcionar de forma mais eficiente.
Ainda assim, a rapamicina não foi desenvolvida para tratar cabelos brancos. Hoje, o medicamento é utilizado principalmente para evitar a rejeição de órgãos transplantados e em algumas doenças específicas.
“Hoje não existe uma indicação aprovada para o uso da rapamicina com o objetivo de recuperar a cor dos cabelos. Além disso, por ser um medicamento que interfere no sistema imunológico, seu uso exige acompanhamento médico e não deve ser feito por conta própria”, alerta Viana.
Embora ainda não exista uma forma de recuperar a cor natural dos fios, os especialistas consideram a pesquisa uma nova linha de investigação na tricologia.
“Estamos entendendo cada vez melhor os mecanismos envolvidos no envelhecimento dos fios. Isso não significa que a cura dos cabelos brancos chegou, mas mostra que a ciência está avançando em uma direção bastante interessante”, conclui o dermatologista.

