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Lula inaugura túnel da transposição sem água no RN

Radar Olhar Aguçado(há cerca de 3 horas)

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) inaugurou na 5ª feira (2.jul.2026) o Túnel Major Sales, no ramal do Apodi, em Luís Gomes (RN), antes de a água da transposição do rio São Francisco chegar ao local da cerimônia.

Em discurso, Lula disse que havia marcado a visita para acompanhar a entrada da água no túnel. Segundo o presidente, um “erro de cálculo” impediu que a cena planejada para a inauguração se concretizasse.

“Eu tinha acertado que eu viria a Luís Gomes, porque eu queria não só ver a água entrar no túnel, como estar aqui para receber a água”, declarou. “E houve um erro de cálculo. E esse erro de cálculo fez com que eu chegasse aqui e a água ainda não chegou.”

Lula afirmou ter visto a água durante o trajeto de helicóptero e pediu que moradores registrassem o momento em que ela chegasse ao túnel. Também sugeriu que fosse feita uma comemoração no local durante a noite.

“Eu gostaria que vocês, à meia-noite, estivessem na frente desse canal e, quando a água chegar, molhem os pés, o rosto, façam um filme. Não vai dar para pular dentro ainda porque ela vem rasinha, ela vai crescendo”, disse. “Mas essa água, podem ter certeza, será uma bênção para essa região do Nordeste.”

Em nota à Folha de S.Paulo, o Palácio do Planalto afirmou que não houve falha na estrutura inaugurada e que o túnel estava operacional. Segundo a Presidência, a água ainda percorria o sistema do Projeto de Integração do Rio São Francisco e não havia chegado ao emboque do túnel no momento da cerimônia.

O Túnel Major Sales tem 6,5 km de extensão e capacidade para transportar até 20 m³ de água por segundo, segundo o governo. A estrutura liga a Paraíba ao Rio Grande do Norte e integra o ramal do Apodi.

O ramal tem 115,5 km de extensão e deve beneficiar cerca de 750 mil pessoas de 54 municípios do Rio Grande do Norte, da Paraíba e do Ceará.

No discurso, Lula associou a obra à espera histórica por água no semiárido. “Eu fico imaginando a quantidade de séculos, não é de anos, é de séculos que o povo do semiárido espera água”, afirmou.

O presidente também disse que a seca é um fenômeno natural, mas que seus efeitos sociais dependem da ação dos governos. “A gente não briga com a natureza, mas a fome por conta da seca é falta de credibilidade, de caráter de quem governa o país ou os estados”, declarou.


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