O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) afirmou nesta 3ª feira (30.jun.2026) que o Mercosul quer negociar um acordo comercial com a China. A declaração foi dada durante a cúpula do bloco, realizada em Assunção, no Paraguai.
Depois de anunciar o início das negociações para um acordo com o Japão, Lula disse que os países do Mercosul querem “seguir se aproximando dos mercados mais dinâmicos do planeta”.
O presidente tem defendido uma aproximação com a China, sobretudo em meio às tensões comerciais com os Estados Unidos. Depois de participar da cúpula do G7, realizada no início de junho na França, Lula afirmou que não tem “nenhuma queixa” da China e disse que o país asiático ocupou espaços comerciais e de investimentos deixados pelos Estados Unidos e pela União Europeia.
“Eu disse ao presidente [dos Estados Unidos, Donald] Trump que faz muito tempo que o Brasil faz licitação internacional e os Estados Unidos e a União Europeia não participam. A China participa. A China ocupou um espaço que estava vazio. Eles não podem se queixar que a China está ocupando um espaço se ele estava vazio”, afirmou.
Sob a presidência paraguaia do Mercosul, o bloco concluiu, avançou ou iniciou negociações de acordos comerciais, tanto entre os países-membros quanto com outros mercados. Entre os principais resultados estão a assinatura do acordo de livre-comércio com a União Europeia, o avanço das negociações para ampliar o acordo de preferência comercial com a Índia, o andamento das tratativas com os Emirados Árabes Unidos e as negociações com o Canadá.
No caso do Japão, Lula se reuniu com a primeira-ministra Sanae Takaichi durante a cúpula do G7. Na ocasião, afirmou que o Mercosul aguarda o acordo “com muita intensidade” e disse esperar “boas notícias” até a próxima reunião do bloco, marcada para 30 de julho.
Lula defende um acordo entre o Mercosul e o Japão desde o início de seu 3º mandato. Em março de 2025, durante visita de Estado ao país asiático, afirmou esperar que as negociações fossem lançadas ainda naquele ano.
A cúpula do Mercosul não contou com representantes do governo japonês. Ainda assim, Tóquio enviou uma carta aos chefes de Estado do bloco em defesa do acordo comercial.
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