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Dívida pública vai a 81,1% do PIB e subiu 9,4 pontos sob Lula

Radar Olhar Aguçado(há cerca de 3 horas)
Dívida pública vai a 81,1% do PIB e subiu 9,4 pontos sob Lula

A DBGG (Dívida Bruta do Governo Geral), composta por governo federal, INSS (Instituto Nacional do Seguro Social) e os governos estaduais e municipais, subiu para 81,1% do PIB em maio, segundo dados do Tesouro Nacional divulgados nesta 3ª feira (30.jun.2026). É o maior valor em 5 anos. Em números absolutos, equivale a cerca de R$ 10,6 trilhões. Eis a íntegra (PDF – 394 kB).

O nível atual está a apenas 0,3 ponto percentual do pico de 81,4% registrado em 2020, no auge da pandemia de Covid-19. No 3º mandato do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), a dívida avançou 9,4 pontos percentuais. O petista havia assumido o governo com a dívida em 71,7% do PIB.

O movimento se dá em um contexto diferente do observado durante a pandemia, sem choque sanitário de magnitude semelhante, mas com persistência de deficits primários e aumento das despesas obrigatórias. Tem sido sustentado também pelo resultado fiscal recente.

Em maio, o setor público consolidado registrou deficit primário de R$ 56,1 bilhões, acima do rombo de R$ 33,7 bilhões no mesmo mês de 2025. No acumulado de 12 meses, chegou a R$ 149 bilhões, equivalente a cerca de 1,14% do PIB, mantendo a trajetória de alta da dívida pública.

O Drive e o Poder360 já haviam mostrado que o Brasil lidera o ranking de países que mais gastam com juros no G20, o que ajuda a entender parte da pressão sobre o endividamento.

Esse gasto elevado reflete o custo de financiar uma dívida grande em um ambiente de política monetária ainda restritiva e contas públicas deficitárias. Quando o governo gasta mais do que arrecada, precisa se financiar no mercado, o que aumenta o volume da dívida e, por consequência, eleva o custo do seu serviço ao longo do tempo.

Nesse cenário, a manutenção da Selic em patamar elevado também se relaciona ao esforço do BC (Banco Central) para conter a inflação, mas acaba encarecendo o financiamento da dívida pública e impactando toda a economia.

Além disso, o custo do serviço da dívida segue em patamar elevado. Apenas em maio, os juros nominais pagos pelo setor público somaram R$ 107,5 bilhões, refletindo o impacto do elevado estoque da dívida e do nível ainda restritivo da política monetária.

De acordo com projeções da IFI (Instituição Fiscal Independente) do Senado, o cenário tende a se deteriorar no longo prazo caso não haja ajuste estrutural. A entidade estima que, na trajetória atual, a dívida bruta pode alcançar 115% do PIB em 2036, nível considerado muito elevado para economias emergentes.

A IFI também calcula que seria necessário um superavit primário de 2,1% do PIB ao ano para estabilizar a dívida pública. No entanto, esse resultado só seria alcançado, no cenário mais otimista da instituição, a partir de 2029. Até lá, o país deve seguir convivendo com a expansão das despesas obrigatórias, muitas delas indexadas ao salário mínimo, enquanto a receita primária líquida tende a recuar de 18,9% do PIB em 2026 para 18,3% no médio prazo, o que reforça a pressão sobre o equilíbrio fiscal.

Quem assumir a Presidência a partir de 2027 terá como desafio central lidar com esse desequilíbrio estrutural, em um contexto de expansão das despesas obrigatórias e limitações para aumento sustentável da arrecadação.

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