O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) disse nesta 5ª feira (26.jun.2026) que “muita gente” do agronegócio brasileiro nunca se preocupou com a produção nacional de fertilizantes porque o setor importava os insumos a preços baixos, cenário que mudou com os impactos da guerra no Oriente Médio na cadeia internacional desses produtos.
Lula criticou o desinteresse de grandes produtores brasileiros no desenvolvimento de fábricas nacionais de fertilizantes durante cerimônia de assinatura dos contratos para a conclusão das obras da UFN-III (Unidade de Fertilizantes Nitrogenados III) da Petrobras, em Três Lagoas (MS).
As obras do empreendimento estavam paradas havia 12 anos e estão sendo retomadas como parte da estratégia da Petrobras para avançar na produção desses insumos. Segundo o presidente, a indústria nacional de fertilizantes sofreu um desmonte na última década, já que o agronegócio pagava barato para trazer o produto de fora do país.
“Muita gente do agronegócio nunca se preocupou que a gente tivesse fábrica de fertilizantes aqui porque era muito barato importar. Era muito barato. Por isso foram fechadas as fábricas de fertilizantes na Bahia, no Paraná, no Sergipe e por isso essa aqui estava paralisada”, disse Lula.
Como mostrou o Poder360, os preços dos fertilizantes chegaram a subir 60% durante o auge da guerra no Oriente Médio. A região é uma das principais produtoras de fertilizantes do mundo e o escoamento é feito quase integralmente pelo estreito de Ormuz, que teve o tráfego afetado pelo conflito.
“O Brasil pagando preços absurdos de fertilizantes que poderiam ser produzidos no país, que aumentam a cada guerra que alguém quer dar no outro lá fora, e o pobre brasileiro que vai comprar uma fruta, uma comida, paga o preço dessa guerra por irresponsabilidade de muita gente”, disse Lula durante o evento da Petrobras.
Praticamente todos os fertilizantes usados no Brasil vêm de fora do país. Em 2025, o país importou quase 90% do material utilizado nas plantações, tornando-se o maior importador do insumo no mundo.
No agro brasileiro, os fertilizantes servem para nutrir as plantas, reabastecer os nutrientes essenciais que o solo perde a cada colheita, corrigir a acidez, e maximizar a produtividade por área cultivada, permitindo produzir mais alimentos sem precisar desmatar novas terras.
Assista ao discurso de Lula no evento:
PETROBRAS AVANÇA EM FERTILIZANTES
O reinício das obras da UFN-III integra um plano da estatal para retomar suas atividades no setor. A previsão é que a fábrica entre em operação comercial em 2029.
A Petrobras já havia reiniciado a produção nas unidades Fafen-BA (Fábricas de Fertilizantes Nitrogenados) na Bahia, em janeiro de 2026, e Fafen-SE, em Sergipe, em dezembro de 2025. Em abril deste ano, a empresa também reativou a Ansa (Araucária Nitrogenados S.A), em Araucária, no Paraná.
Com os novos empreendimentos, a estatal projeta atender cerca de 35% do mercado nacional de ureia nos próximos anos. Atualmente, a empresa diz atender cerca de 20% da demanda do país por esses insumos.
Na 4ª feira (24.jun), a presidente da Petrobras, Magda Chambriard, disse que a estatal estuda duplicar a capacidade de produção de fertilizantes em suas unidades no Brasil.


