O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) participou nesta 5ª feira (25.jun.2026) da inauguração da UFN-III (Unidade de Fertilizantes Nitrogenados III), em Três Lagoas (MS). Na cerimônia, Lula atribuiu os atrasos do empreendimento à operação Lava Jato, deflagrada em março de 2014.
“Em 2014, as empresas que estavam com a responsabilidade de fazer deviam estar com processo na Lava Jato, elas fraquejaram e as obras ficaram paradas”, afirmou.
À época, as responsáveis pela fábrica de fertilizantes eram a Petrobras, a Sinopec (estatal chinesa de energia) e a Galvão Engenharia. A estatal brasileira rescindiu o contrato por falta de pagamento a fornecedores e trabalhadores. A Galvão Engenharia foi alvo da operação Lava Jato e o então presidente do grupo, Dario de Queiroz Galvão Filho, foi preso em 2015.
A UFN-III receberá mais de R$ 5 bilhões em investimentos e integra a carteira do Novo PAC (Programa de Aceleração de Crescimento). A unidade estava paralisada desde 2015 e teve a retomada aprovada pela Petrobras após estudos técnicos e econômicos apontarem a viabilidade de conclusão do projeto dentro do Plano de Negócios 2026-2030 da estatal.
“Tenho orgulho de estar aqui hoje. Logo que tomei posse, disse que precisávamos completar Três Lagoas. Eu sonhava com isso pronto, imaginava que lá por 2012, 2013 isso aqui estaria pronto. Não ficou”, declarou.
Durante o discurso, Lula afirmou que houve diversas tentativas de encontrar investidores para concluir a fábrica. “Durante as eleições, ficávamos discutindo isso aqui. Mas tinha sempre um empecilho, uma dificuldade. Um japonês, um chinês, um russo que entraria, mas ninguém entrou”, disse.
O petista atribuiu a retomada à decisão da Petrobras de reassumir protagonismo na produção de fertilizantes. “Foi preciso a Petrobras assumir o seu papel. Foi preciso a Magda [Chambriard, presidente da estatal] entrar e dizer que ia fazer”, afirmou.
A operação comercial da unidade está prevista para 2029. Quando estiver em funcionamento, a planta terá capacidade para produzir 3.600 toneladas diárias de ureia granulada e 2.200 toneladas diárias de amônia. A produção anual estimada é de 1,3 milhão de toneladas de ureia.
Magda Chambriard afirmou que a Petrobras pretende ampliar sua presença no mercado nacional de fertilizantes. “Produzimos 20% da demanda nacional de nitrogenados. Até o ano passado não tínhamos nada. Com a UFN-III, a gente chega a 30%”, disse.
A presidente da estatal disse ainda que trabalha para antecipar a entrega do empreendimento. “As obras devem ficar prontas entre 2028 e 2029. Estou pedindo para eles que seja em junho de 2028”, afirmou. Segundo ela, a companhia pretende concluir em 2027 a estrutura de armazenamento de ureia da unidade.
