O motorista aposentado Josias Nunes de Oliveira morreu nesta 3ª feira (16.jun.2026), aos 82 anos, em Indaiatuba (SP). Ele ficou historicamente conhecido por ter sido falsamente responsabilizado pelo regime militar por provocar o acidente rodoviário que matou o ex-presidente JK (Juscelino Kubitschek), em 22 de agosto de 1976. O enterro foi realizado no Cemitério Parque dos Indaiás, no interior paulista.
Na época dos fatos, o inquérito conduzido pela Polícia Civil do Rio de Janeiro indicou que o ônibus da Viação Cometa dirigido por Josias colidiu na traseira do Opala de JK. Segundo a versão da ditadura, a batida fez o ex-presidente perder o controle do veículo, invadir a pista contrária e colidir com uma carreta Scania. JK e seu motorista, Geraldo Ribeiro, morreram no local.
Investigações posteriores e comissões da verdade contestaram a dinâmica oficial:
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provas físicas: fotos periciais descobertas anos depois mostraram a traseira do Opala intacta e com as lanternas preservadas;
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laudo inválido: a análise técnica que indicava manchas de tinta do Opala no ônibus foi descartada pela Justiça por falta de assinatura. A empresa e o motorista demonstraram que a marca era por impactos cotidianos nas plataformas da rodoviária;
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testemunhas: o condutor de um caminhão e 9 passageiros do ônibus afirmaram que não houve batida entre o ônibus e o carro de JK.
Absolvição
Josias foi absolvido do crime de homicídio em 1ª instância em 1977, decisão confirmada em 2ª instância em 1978, quando o caso criminal foi arquivado. Em depoimentos prestados à Comissão Municipal da Verdade de São Paulo em 2013 e 2017, Josias disse que foi hostilizado publicamente e chamado de assassino do ex-presidente nas ruas.
Segundo ele, dias depois do acidente, 2 homens desconhecidos lhe ofereceram uma mala de dinheiro para declarar-se responsável pelo desastre, proposta que recusou. De acordo com relatos de familiares, o ex-motorista desenvolveu transtorno bipolar e problemas de saúde mental por causa do trauma.
Em maio de 2026, a CEMDP (Comissão Especial de Mortos e Desaparecidos Políticos) aprovou um relatório que afirma que JK foi morto por causa de uma ação coordenada do Estado ditatorial. A comissão registrou falhas graves e destruição de evidências no inquérito original.
O MPF (Ministério Público Federal) já havia declarado em 2019 que as falhas investigativas da época inviabilizavam a determinação exata da causa do acidente. Leia a integra (PDF – 1.009 KB).
No mesmo comunicado, a CEMDP informou que deveria “organizar um pedido de desculpas formal a Josias Nunes de Oliveira, motorista do ônibus que foi apontado como suposto causador do acidente, de acordo com a versão oficial da época sobre os fatos”.
