O Copom (Comitê de Política Monetária) do BC (Banco Central) anunciou, nesta quarta-feira (17), um corte de 0,25 ponto percentual na taxa de juros.
Em entrevista ao CNN Prime Time, a economista-chefe do Inter, Rafaela Vitoria, avaliou os principais pontos do comunicado e destacou que o excesso de informações pode gerar mais incerteza do que clareza.
“Toda vez que o Copom traz simulações sobre cenários, isso acaba gerando uma certa incerteza, dá margem para a interpretação”, afirmou.
Risco fiscal no centro do debate
O comunicado do Copom voltou a incluir o risco fiscal no balanço de riscos, algo que Rafaela Vitoria interpretou como um sinal importante.
Segundo ela, os gastos do governo federal cresceram mais de 14% acima da inflação nos primeiros meses do ano, estimulando a demanda e o consumo de forma significativa.
“O governo vem trazendo novos programas, medidas de crédito subsidiado, e isso tem um risco de estimular ainda mais a demanda e manter essa inflação mais alta”, alertou a economista.
Para Rafaela Vitoria, ao reincorporar o risco fiscal ao comunicado, o Copom já estaria, de certa forma, sinalizando um possível responsável por uma eventual pausa no ciclo de cortes.
Ela explicou que, se os estímulos forem prolongados e o consumo permanecer elevado, a inflação pode se manter em patamares altos, aumentando o risco de interrupção dos cortes de juros.
El Niño e inflação de serviços
O comunicado do Banco Central também mencionou o fenômeno El Niño como fator de risco adicional, especialmente por seu potencial impacto sobre a produção de alimentos.
Rafaela Vitoria, no entanto, ponderou que a inflação de alimentos e combustíveis é mais volátil e que o Copom tende a focar no reflexo desses itens sobre a inflação de serviços.
“Um aumento potencial de preços de alimentos devido ao El Niño vai ser mais para o final do ano e o impacto disso seria mais para a inflação em 2027”, disse.
Para ela, a maior preocupação no momento continua sendo a demanda interna.
Juros nos Estados Unidos e impacto no Brasil
Questionada sobre a possibilidade de alta de juros nos Estados Unidos — cenário que não estava no radar do mercado —, Rafaela Vitoria explicou que o impacto sobre a política monetária brasileira seria indireto, principalmente via câmbio.
“O principal fator que resulta de uma eventual alta de juros nos Estados Unidos é uma fuga de investidores”, afirmou.
Segundo ela, juros mais altos nos EUA atraem investidores em busca de maior rendimento, reduzindo o apetite por mercados emergentes como o Brasil e pressionando o câmbio para cima.

