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Lula critica protecionismo e cita Musk em discurso no G7

Radar Olhar Aguçado(há cerca de 3 horas)

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) criticou, nesta 3ª feira (16.jun.2026), o protecionismo e o unilateralismo durante seu discurso na cúpula do G7, na França. “Agora, o protecionismo e o unilateralismo ressurgem como respostas falaciosas para a complexidade dos nossos problemas”, declarou o petista.

Lula falou na reunião ampliada sobre “Firmar novas parcerias e reconstruir a solidariedade internacional”. O encontro entre os líderes mundiais não foi aberto à imprensa. O discurso do presidente foi divulgado pelo Planalto. Leia a íntegra (PDF – 208 kB). 

O petista também citou o empresário Elon Musk. Declarou: “O 1º trilionário do mundo é mais rico do que os 46% mais pobres da população mundial. A extrema concentração de riqueza decorre de décadas de políticas pró-bilionários”. Musk se tornou o 1º trilionário do mundo em 12 de junho, impulsionado pela valorização das ações da SpaceX. 

Esta não é a 1ª vez que o petista menciona o norte-americano. Em 2024, por exemplo, usou um pronunciamento oficial nas emissoras de TV e rádio para criticar Musk depois do bloqueio do X no Brasil. “Seremos sempre intolerantes com qualquer pessoa, tenha a fortuna que tiver, que desafie a legislação brasileira. Nossa soberania não está à venda”, disse à época. 

ESTADOS UNIDOS

A ida de Lula ao G7 se dá em meio a tensões com os Estados Unidos causadas pelo anúncio de uma possível nova taxação de 25% aos produtos brasileiros e a classificação do CV (Comando Vermelho) e do PCC (Primeiro Comando da Capital) como organizações terroristas. 

Considerando a participação do presidente norte-americano Donald Trump (Republicano) no evento, criou-se a expectativa de que os 2 líderes pudessem se reunir. A existência de um pedido de reunião bilateral foi negada pelo Planalto. Apesar disso, um encontro informal entre os 2 –como na Assembleia Geral da ONU (Organização das Nações Unidas)– não está descartado. 

No discurso, Lula não citou Trump nem fez críticas às medidas dos Estados Unidos contra o Brasil. Apesar disso, mencionou algumas das justificativas apresentadas pelo governo norte-americano para o novo tarifaço e para a classificação de organizações criminosas como terroristas. Eis os trechos: 

  • “O Brasil tem dado a sua contribuição. O Fundo Florestas Tropicais para Sempre vai canalizar investimentos para a conservação desse bioma e de seus habitantes” –um dos argumentos dos EUA é o desmatamento na Amazônia;
  • “Um deles, é o desafio do crime organizado, que aterroriza comunidades e desvia recursos públicos que deveriam ser direcionados para a construção de escolas, hospitais e estradas. Esse esforço deve levar em conta do respeito à soberania dos Estados” –uma das críticas do governo ao enquadramento do CV e do PCC como “terroristas” é como isso pode afetar a soberania brasileira;
  • “As transições energética e digital não podem reproduzir padrões históricos que concentram benefícios econômicos em poucos atores” –o Pix é citado pelos EUA como exemplo de práticas comerciais desleais.

Em discursos domésticos, Lula cita o republicano abertamente: já chegou a afirmar que o governo Trump mente para taxar o Brasil. No G7, o discurso do chefe de Estado foi mais polido tanto por ser um convidado do evento quanto por visar a evitar um desgaste desnecessário em um tema que o governo brasileiro ainda pretende distensionar. 

PAÍSES DESENVOLVIDOS

Lula também cobrou uma maior participação dos países ricos no auxílio a nações mais pobres. Citou uma queda de 23% na Ajuda Oficial ao Desenvolvimento e a redução de 40% do financiamento do Programa Mundial de Alimentos. 

“Não são cifras abstratas. Elas impactam diretamente o cotidiano dos habitantes de países em desenvolvimento. São milhões de pessoas sem acesso à alimentação adequada; crianças sem frequentar a escola; mulheres privadas de proteção; e comunidades vulneráveis diante de doenças que podem ser prevenidas”, declarou. 

Uma das propostas do G7 é a ampliação de capital privado para o fomento ao desenvolvimento desses países. Para Lula, há uma “responsabilidade dos Estados”

“Embora a contribuição do setor privado seja bem-vinda, a Ajuda Oficial ao Desenvolvimento segue sendo responsabilidade primordial dos Estados. Precisamos de um sistema financeiro no qual os países não sejam obrigados a escolher entre pagar credores e alimentar suas crianças. Está claro que o desafio não é administrar a escassez”, disse.

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