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Gilmar vota para que pai de Vorcaro cumpra prisão domiciliar

Radar Olhar Aguçado(há cerca de 2 horas)

O ministro Gilmar Mendes votou nesta 3ª feira (16.jun.2026) para soltar Felipe Vorcaro, primo do fundador do Banco Master, e levar o pai do investigado, Henrique Vorcaro, para prisão domiciliar. Ao devolver o voto-vista, Gilmar afirmou que os investigadores estão “no rumo errado” e que a Polícia Federal usou prisões para pressionar a delação de Daniel Vorcaro.   

O decano do Supremo Tribunal Federal disse considerar que há “desconcertante” semelhança entre as investigações do Master e a Lava Jato, com “expedientes heterodoxos”. O ministro afirmou que a operação foi marcada por vazamentos seletivos de informações privadas que podem pressionar os investigados.

Mendes advertiu que as condições da prisão do empresário não podem ser “tratadas como evento secundário”. “A colaboração pressupõe que o investigado escolha de forma livre se deseja colaborar. A liberdade se torna comprometida quando a prisão se encontra mantida sem fundamentação idônea”, afirmou.

O decano considera que a prisão de Daniel Vorcaro em regime de segurança máxima produz efeitos diversos e pode comprometer a integridade das investigações, criando um ambiente de agravamento da pressão psicológica. “Causa perplexidade que o investigado tenha sido submetido a um regime mais grave com fundamentação genérica”, criticou o decano.

O ministro Gilmar Mendes considerou que há efeitos danosos da midiatização das investigações. Ele voltou a citar as “práticas autoritárias da Lava Jato” para exemplificar a utilização do uso da prisão preventiva para forçar acordos de delação premiada.

O decano citou trechos das investigações da Lava Jato em que integrantes do MPF (Ministério Público Federal) e o ex-juiz federal Sergio Moro coordenavam ações com o objetivo de condenar Luiz Inácio Lula da Silva (PT). “Esse caso serve como exemplo paradigmático do que se deve evitar em persecução penal”, afirmou.

Gilmar Mendes sustentou que a pressão sobre investigados para realizar uma delação contamina as investigações. Para o ministro, o direcionamento da Polícia Federal para buscar autoridades políticas “descredibiliza” a colaboração. “Não cabe ao magistrado, em hipótese alguma, participar dos acordos de delação”, afirmou, olhando para o ministro André Mendonça.

Segundo o decano, não é possível repetir os mesmos “erros da Lava Jato”, com a escolha de investigados baseada em critérios políticos. “Juiz algum pode comportar-se como delegado de polícia. Sabemos muito bem onde esse caminho termina”, declarou.

O ministro citou que há notícias de que o fundador do Banco Master buscou iniciar tratativas de uma delação premiada, e destacou que o acordo só é válido se o delator demonstrar “espontaneidade”, sem ser submetido a ameaças por parte dos investigadores.

Sobre as investigações relacionadas ao pai do empresário, Mendes considerou que a decisão de prisão de Henrique Vorcaro se deu por inferência de conteúdos desconhecidos. O decano afirma que seriam suficientes medidas cautelares alternativas.

Os elementos atribuídos a Henrique Vorcaro não se mostram mais ou menos graves que os de outros investigados, como diversos executivos do Banco Master, pontuou o ministro. Para ele, a prisão do pai serviu para pressionar o fundador do Master, que estava em fase de negociação de delação premiada. “Tal situação destoa da isonomia e proporcionalidade e recomenda a substituição da prisão de Henrique Moura Vorcaro por prisão domiciliar”, declarou.

Levantamento do sigilo dos autos

Mendes criticou a decisão do ministro André Mendonça de levantar o sigilo das investigações. O ministro considera que os documentos foram produzidos pela PF há mais de dez dias e que é um material que poderia ter sido disponibilizado com antecedência para a defesa.

O decano afirma que o seu pedido de vista ocorreu justamente para ter acesso aos autos na integralidade com antecedência. “Tais práticas não podem acontecer em um devido processo investigatório.” 

Mendes afirmou que as investigações estão indo em um “rumo errado” ao apontar que as representações da Polícia Federal mencionam trocas de mensagens sem relevância penal.

Primo de Vorcaro

O ministro entendeu que não há fundamento para a manutenção da prisão preventiva de Felipe Vorcaro, primo do fundador do Master. Para ele, a representação da PF persiste na prisão com a finalidade de pressionar Daniel Vorcaro.