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Deputado atuou para beneficiar Master e pressionar BC, diz jornal

Radar Olhar Aguçado(há cerca de 3 horas)

O deputado federal Filipe Barros (PL-PR) atuou em seu mandato e na Comissão de Relações Exteriores e de Defesa Nacional da Câmara para beneficiar o Banco Master e pressionar o Banco Central e a CVM (Comissão de Valores Mobiliários) no período em que o Banco de Brasília tentava comprar a instituição de Daniel Vorcaro. Um levantamento feito pela jornalista Malu Gaspar mostra que o deputado apresentou requerimentos, um projeto de lei e uma audiência pública de novembro de 2024 a setembro de 2025. O período coincide com o momento em que o fundador do Master tentava conseguir mudanças que beneficiassem seu banco.

A 1ª ação foi propor um projeto de lei semelhante à emenda apresentada pelo senador Ciro Nogueira (PP-PI) para aumentar o limite de cobertura do FGC (Fundo Garantidor de Créditos) de R$ 250 mil para R$ 1 milhão. O fundo era a base do modelo de negócios do Master, que prometia taxas de retorno acima das praticadas pelo mercado.

A emenda de Ciro Nogueira foi rejeitada pelo senador Plínio Valério (PSDB-AM), relator da PEC (Proposta de Emenda à Constituição) 65 de 2025 na CCJ (Comissão de Constituição e Justiça) do Senado. O congressista disse que seria mais adequado fazer a mudança através de um projeto de lei, como foi feito depois por Barros. O texto, porém, não chegou a ser votado.

Outra ação do deputado foi pautar 2 requerimentos na Comissão de Relações Exteriores em junho de 2025, quando era presidente do colegiado. O 1º foi um convite ao presidente da CVM, João Pedro Nascimento, para discutir “o impacto da atual estrutura regulatória do mercado de capitais brasileiro sobre a soberania econômica nacional”. A audiência foi em 8 de julho.

Barros também convidou o presidente do BC, Gabriel Galípolo, para discutir ataques hackers ao sistema do Pix em junho. Naquele momento, o Banco Central já havia constatado as fraudes nas carteiras de crédito vendidas pelo Master ao BRB. Como era só um convite, ele não chegou a comparecer à comissão.

Já em 3 de setembro de 2025, quando o BC rejeitou a compra do Master pelo BRB, Barros apresentou um requerimento ao Banco Central com questionamentos sobre o encerramento da liquidação extrajudicial de duas outras instituições financeiras –o Banco Econômico e o Banco Nacional.

Os requerimentos eram voltados à Diorf (Diretoria de Organização do Sistema Financeiro e de Resolução), comandada por Renato Gomes. Ele era contrário à venda do Master ao BRB e defendia a liquidação do banco de Vorcaro. 

O QUE DIZ O DEPUTADO

À coluna da jornalista Malu Gaspar, Barros negou qualquer irregularidade nas ações de seu mandato. 

Sobre o projeto de lei para elevar o FGC, o deputado disse ter interesse na regulação do mercado financeiro e de capitais e que passou a estudar o assunto por ser contra o modelo atual de autonomia do BC.

Já sobre os requerimentos apresentados na Comissão de Relações, afirmou que “não é possível dissociar hoje a soberania nacional da econômica. O fato dos EUA usarem sanções econômicas para fazerem prevalecer suas vontades é a prova cabal disso”.

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