A inflação continua em um patamar considerado desconfortável para a economia brasileira, na avaliação de especialistas ouvidos após a divulgação do IPCA (Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo) de maio pelo IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística).
O indicador subiu 0,58% no mês e acumulou alta de 4,72% em 12 meses, acima do teto da meta de 4,5% perseguida pelo BC (Banco Central).
Embora o índice tenha desacelerado em relação a abril, quando havia avançado 0,67%, economistas afirmam que a composição do resultado ainda exige cautela. A principal pressão veio dos alimentos, enquanto combustíveis ajudaram a conter uma alta mais intensa.
Gabriel Pestana, economista-sênior da Genial Investimentos, disse que o resultado ficou acima das expectativas, mas trouxe sinais positivos na análise dos componentes mais persistentes da inflação.
“Os componentes mais ligados à demanda e ao mercado de trabalho, que tendem a ser mais persistentes, vieram abaixo do esperado”, declarou.
Para Rafael Rondinelli, economista da MAG Investimentos, o cenário continua desafiador, sobretudo nos serviços.
“A leitura aponta para um quadro de inflação ainda pressionada, especialmente no que tange a serviços”, afirmou.
Mariana Rodrigues, economista da SulAmérica Investimentos, declarou que o resultado mantém dificuldades para a condução da política monetária.
“O resultado segue evidenciando uma dinâmica qualitativa desfavorável, que implicará um panorama complexo para o Banco Central diante de um cenário com inflação acima da meta e expectativas desancoradas”, disse.
Já Pablo Spyer, conselheiro da Ancord (Associação Nacional das Corretoras e Distribuidoras de Títulos e Valores Mobiliários, Câmbio e Mercadorias), afirmou que houve melhora nos núcleos de inflação e contribuição dos combustíveis para conter uma alta maior dos preços.
“No entanto, a inflação acumulada em 12 meses continua acima do teto da meta perseguida pelo Banco Central”, declarou.
Em comum, os especialistas avaliam que a desaceleração observada em maio não foi suficiente para alterar o quadro de inflação acima da meta. A avaliação predominante é que o processo de desinflação continua gradual e que os próximos indicadores serão determinantes para medir a velocidade da convergência dos preços.
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