O deputado democrata Jamie Raskin afirmou, nesta 4ª feira (10.jun.2026), que o governo de Donald Trump (Partido Republicano) está instrumentalizando o Departamento de Justiça para interferir no mercado de transmissões esportivas dos Estados Unidos. Segundo o congressista, a investigação antitruste aberta pelo órgão federal contra a NFL serve para dar vantagem comercial à Fox News.
Segundo o deputado da oposição, o pano de fundo da ofensiva regulatória é um lobby direto liderado pelo magnata da mídia Rupert Murdoch, presidente emérito da Fox. Segundo o Wall Street Journal, o empresário jantou reservadamente com Trump na Casa Branca, em fevereiro, para pedir uma reação do governo contra o avanço das plataformas de streaming sobre os direitos de imagem do futebol americano.
PRESSÃO SOBRE O MERCADO
Para Raskin, as engrenagens de fiscalização de monopólios do país foram distorcidas para atender a interesses políticos e privados. O deputado declarou que tanto o inquérito do governo quanto as sessões do próprio Parlamento sobre direitos esportivos compartilham do mesmo objetivo oculto: pressionar a NFL para que Murdoch consiga renegociar um acordo de transmissão muito mais rentável para os canais da Fox.
A Fox, que vendeu a maior parte de seus ativos de entretenimento para a Disney, em 2019, por US$ 71,3 bilhões, tornou-se a rede de TV mais dependente dos esportes ao vivo para manter sua audiência e receitas publicitárias.
Conforme o Wall Street Journal, no jantar com Trump, Murdoch argumentou que a migração de jogos exclusivos para gigantes de tecnologia –como Amazon, Netflix e YouTube– inviabilizaria economicamente o modelo das redes de televisão aberta, que transmitem o sinal de forma gratuita. O estopim para o contra-ataque da Fox foi a intenção da NFL de reabrir contratos atuais e exigir reajustes de preço de até 50% de seus parceiros de mídia tradicionais.
BRECHA LEGAL DO STREAMING
A ofensiva jurídica liderada pelo Departamento de Justiça foca em uma possível quebra de finalidade da Lei de Transmissão Esportiva de 1961 (SBA, na sigla em inglês). A legislação concede à NFL uma imunidade antitruste, permitindo que os 32 times negociem seus direitos de imagem de forma conjunta, sob a premissa de que os jogos sejam exibidos em redes de TV abertas patrocinadas por anúncios.
A tese defendida pelos críticos da liga, incluindo o presidente da Comissão Federal de Comunicações, Brendan Carr, e senadores conservadores como Mike Lee, é de que a NFL está desrespeitando o propósito da lei ao colocar partidas cruciais atrás de paywalls (barreiras de pagamento) de aplicativos de streaming. Associações de consumidores apontam que acompanhar uma temporada completa de um time de futebol americano se transformou em uma “caça ao tesouro” que chega a custar US$ 1.000 por ano aos fãs.
Em resposta à pressão da Fox no governo, a NFL também acionou seus canais políticos. O comissário da liga, Roger Goodell, ligou diretamente para a chefe de gabinete da Casa Branca, Susie Wiles, para defender o modelo de negócios da entidade. A liga argumenta que seu sistema permanece o mais acessível do mercado, visto que 87% das partidas da última temporada foram exibidas na TV aberta e as transmissões locais gratuitas são garantidas nos mercados de origem de cada equipe.
