O relator da PEC que reduz a jornada de trabalho, deputado Leo Prates (Republicanos-BA), afirmou nesta 3ª feira (2.jun.2026) que a resistência à diminuição da carga horária pode resultar na “1ª crise” enfrentada pela direita “dentro da sua própria base”. Segundo ele, a juventude atual “anseia por tempo”.
O congressista participou do painel “O futuro do trabalho: tecnologia, diminuição da jornada e seus impactos econômicos e sociais”, realizado durante o 14º Fórum de Lisboa.
Prates disse que, no passado, os jovens priorizavam a aquisição de bens, como carro e casa. Hoje, segundo ele, valorizam mais o tempo livre.
“Esse é um movimento, basicamente do mundo, de uma juventude de 16 a 40 anos que anseia por mais tempo”, afirmou. “Nós precisamos entender o que nós estamos fazendo hoje e para quem nós estamos fazendo, que é para essa juventude”, declarou.
Ao comentar os reflexos políticos do tema, o deputado afirmou que a direita precisa compreender as demandas desse grupo.
“Eu sou de um partido de centro-direita, de um agrupamento de centro-direita na Bahia. Se a direita não tiver cuidado, essa pode ser a maior crise que ela vai enfrentar, porque a maioria dessa juventude, no Brasil, se declara de direita”, disse.
Em seguida, acrescentou: “Nós precisamos entender bem [o que essa juventude quer]. E pode ser a 1ª crise dentro da sua própria base”.
A PEC do fim da escala 6 x 1 reduz de 44 para 40 horas semanais o limite constitucional da jornada de trabalho. O texto também estabelece 2 folgas remuneradas por semana. A proposta foi aprovada pela Câmara dos Deputados em 27 de maio e aguarda análise do Senado.
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14º FÓRUM DE LISBOA
O tema do Fórum de Lisboa deste ano é “Nova ordem internacional, tecnologia e soberania: desafios democráticos, econômicos e sociais”. Todos os debates serão realizados de 1º a 3 de junho na Universidade de Lisboa.
O evento terá a presença de nomes como Gabriel Galípolo, presidente do Banco Central, Magda Chambriard, presidente da Petrobras, e Aloízio Mercadante, presidente do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social.
O número total de participantes no Fórum de Lisboa aumentou de 360 em 2025 para 450 em 2026. É um recorde para o evento. Mas o total de autoridades brasileiras caiu com relação ao ano passado –a única exceção é no Legislativo, que terá 2 congressistas a mais neste ano. A mudança de embocadura do tema central do encontro, mais globalizado, é a razão de haver mais palestrantes de outros países e não apenas do Brasil e de Portugal.
O 14º Fórum de Lisboa recebeu o Alto Patrocínio da Presidência da República Portuguesa, dada pelo presidente português a iniciativas, eventos, congressos, projetos ou comemorações que são considerados de especial interesse público, relevância cívica, cultural, científica, social ou econômica para Portugal.
Não se trata de conceder financiamento ou apoio material. É uma chancela de reconhecimento e prestígio institucional.
A distinção, segundo a organização do evento, “reconhece a relevância institucional, acadêmica e cívica do evento, bem como sua contribuição para o fortalecimento do debate democrático e para a reflexão sobre os desafios contemporâneos enfrentados por Portugal, pelo Brasil e pela comunidade internacional”.
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