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Governo Lula reage a EUA e tira Pix da mesa de negociação

Radar Olhar Aguçado(há cerca de 2 horas)

O governo de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) reagiu nesta 3ª feira (2.jun.2026) à conclusão preliminar da investigação comercial dos Estados Unidos contra o Brasil. Depois de uma reunião de emergência no Palácio do Planalto, ministros afirmaram que o Pix está fora de qualquer negociação com Washington e classificaram como injustificadas as alegações apresentadas pelo governo norte-americano.

A avaliação interna é que a ameaça de uma tarifa adicional de 25% sobre produtos brasileiros integra a estratégia dos Estados Unidos para ampliar seu poder de barganha antes do encerramento das negociações bilaterais, marcado para 15 de julho.

O governo também resiste a discutir mudanças em regras domésticas relacionadas a plataformas digitais, políticas ambientais e temas ligados à atuação das instituições brasileiras.

A investigação foi aberta pelos Estados Unidos em julho de 2025 com base na Seção 301 para apurar supostas práticas brasileiras consideradas prejudiciais aos interesses norte-americanos. Além de questões tarifárias, o processo envolve temas como Pix, comércio digital, propriedade intelectual, etanol, combate à corrupção e desmatamento. O governo brasileiro contesta todas as alegações.

O Planalto sustenta que a investigação foi impulsionada pela articulação da família Bolsonaro com aliados do presidente Donald Trump nos Estados Unidos e avalia que o processo tem componente político e eleitoral.

Participaram da reunião desta 3ª feira (2.jun.2026):

  • o vice-presidente, Geraldo Alckmin (PSB);
  • o ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços em exercício, Márcio Elias Rosa;
  • o ministro da Fazenda, Dario Durigan;
  • o ministro da Secretaria de Comunicação Social, Sidônio Palmeira;
  • o ministro da Secretaria de Relações Institucionais, José Guimarães;
  • o ministro do Planejamento e Orçamento, Bruno Moretti;
  • e o secretário de Clima, Energia e Meio Ambiente do Itamaraty, Maurício Lyrio.

Depois do encontro, o governo divulgou nota oficial em que manifestou “indignação” com a investigação conduzida pelo USTR (Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos). O texto afirma que o processo foi aberto em 2025 a partir de provocações da família Bolsonaro e classifica seus integrantes como “falsos patriotas” por atuarem, segundo o governo, contra os interesses brasileiros.

Em entrevista coletiva, Alckmin rebateu os principais pontos levantados pelos norte-americanos. Disse que o Pix é um “patrimônio nacional” e que não discrimina empresas estrangeiras. Também afirmou que os acordos comerciais do Mercosul com Índia e México não restringem a entrada de produtos dos Estados Unidos no mercado brasileiro.

O vice-presidente declarou ainda que o Brasil dispõe de mais de 30 instrumentos de combate à corrupção, que empresas norte-americanas estão entre as principais beneficiárias do sistema brasileiro de patentes e que o país registrou a maior queda do desmatamento dos últimos 7 anos.

Alckmin também argumentou que a balança comercial favorece os Estados Unidos. Segundo ele, o superavit norte-americano em bens e serviços nas relações com o Brasil supera US$ 400 bilhões nos últimos 15 anos.

“O caminho é o diálogo”, afirmou Alckmin. Segundo o vice-presidente, o representante comercial dos EUA, Jamieson Greer, e o chanceler Mauro Vieira poderão se encontrar em Paris nos próximos dias para dar continuidade às negociações.

O governo pretende mobilizar empresas brasileiras e norte-americanas para pressionar por uma solução negociada. Alckmin afirmou que haverá consulta pública até 1º de julho e audiência pública em 6 de julho.

“Família Bolsonaro contra o Pix”

Márcio Elias Rosa afirmou que os setores potencialmente mais afetados por eventuais tarifas são os de plásticos, calçados, ferro fundido, peixes e crustáceos. Apesar disso, declarou não acreditar que a recomendação do USTR será convertida em tarifas efetivas.

Integrantes do governo afirmam que temas considerados estratégicos não serão colocados na mesa de negociação. O principal deles é o Pix.

Dario Durigan disse que o sistema de pagamentos instantâneos é “o símbolo maior da tecnologia financeira brasileira” e classificou a inclusão do tema na investigação como uma tentativa de atacar uma ferramenta gratuita e amplamente utilizada pela população.

“A família Bolsonaro faz uma ofensiva contra o Pix”, declarou.

Segundo Durigan, as justificativas apresentadas pelos Estados Unidos se baseiam em premissas “desatualizadas” e já foram respondidas pelo governo brasileiro em sucessivas reuniões técnicas.

O governo também acompanha com preocupação os possíveis desdobramentos da classificação do PCC e do Comando Vermelho como organizações terroristas pelos Estados Unidos. Integrantes da equipe avaliam que medidas relacionadas ao combate aos fluxos financeiros dessas organizações podem ser usadas para ampliar pressões sobre o sistema financeiro brasileiro.

Apesar do tom duro adotado na resposta oficial, o Planalto afirma que continuará apostando na negociação. A expectativa do governo é que a recomendação do USTR não resulte na aplicação das tarifas e que um acordo seja fechado antes de 15 de julho.


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