O deputado federal Nikolas Ferreira (PL-MG) afirmou nesta 4ª feira (27.mai.2026) que o PL (Partido Liberal) passou a defender a adoção da escala 4 X 3 para “escancarar” os problemas da proposta original apresentada pelo Psol (Partido Socialismo Liberdade) sobre a redução da jornada de trabalho no país.
Segundo Nikolas, a estratégia do partido é expor os impactos econômicos negativos de uma mudança mais ampla na carga horária. “Eles estão desesperados, porque sabem que o Brasil quebra em 1, 2 meses”, declarou a jornalistas depois da aprovação, na comissão especial da Câmara, do parecer da PEC que reduz a jornada semanal de 44 para 40 horas e estabelece escala 5 X 2.
PROPOSTA 4 X 3
A proposta original da deputada Erika Hilton (Psol-SP) tinha como objetivo uma jornada máxima de 36 horas semanais e escala 4 X 3 , com 3 dias de folga. Já o texto aprovado na comissão, relatado pelo deputado Leo Prates (Republicanos-BA) e articulado com o presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), e o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), fixou um modelo intermediário de 40 horas semanais e escala 5 X 2.
Nos bastidores, integrantes do PL afirmam que a defesa da escala 4 X 3 busca constranger o governo federal, que transformou a redução da jornada em uma das pautas prioritárias para as eleições de 2026. A avaliação da oposição é que o Planalto teria dificuldade em rejeitar uma proposta considerada mais vantajosa aos trabalhadores.
Nikolas afirmou que a legenda defenderá a implementação imediata da escala 4 X 3, sem período de transição. “Não coloca para depois das eleições, não, porque é muito fácil colocar fogo no parquinho e depois termos que ser o adulto que apaga o incêndio”, disse.
O deputado também argumentou que a redução da jornada poderia provocar aumento de preços. “O empreendedor vai ter que passar isso para o consumidor final”, declarou. Segundo ele, os problemas econômicos do país não se resumem à escala de trabalho. “Não é só a escala que vai resolver o problema do país, é a responsabilidade [com as contas]”, afirmou.
A comissão especial aprovou o texto-base da PEC por 34 votos a 4. A proposta agora segue para análise do plenário da Câmara e, se aprovada, ainda precisará passar pelo Senado.
EMENDA PARA 52H
Em meados de maio, deputados do PL também assinaram uma emenda à PEC para que a jornada de trabalho pudesse ser estendida a até 52 horas, se assim acordado com os sindicatos, e que a transição fosse de 10 anos. Leia a lista de todos os deputados que assinaram a emenda.
