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Planalto monitora Flávio nos EUA após visita bem-sucedida de Lula

Radar Olhar Aguçado(há cerca de 1 hora)

O governo de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) reagiu com reservas à notícia de um possível encontro entre o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) e o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump (partido Republicano). Interlocutores do Planalto e do Itamaraty minimizaram o episódio. O governo brasileiro acompanha as conversas e foca na retomada da agenda comercial com a Casa Branca, prevista para a próxima semana

A equipe de Flávio Bolsonaro sustenta que o convite partiu do lado americano. A informação, porém, não foi corroborada por Washington. O Departamento de Estado americano não confirmou nem negou o encontro. O Itamaraty também não tem informações oficiais sobre o assunto e não deve se pronunciar. 

Pessoas familiarizadas com a diplomacia bilateral lembram que convites desse tipo costumam ser construídos nos bastidores antes de serem formalizados –prática comum no meio diplomático. Mesmo assim, não há confirmação oficial para o governo brasileiro se embasar. 

O encontro de Trump e Flávio vem em um momento bom na relação bilateral entre Brasil e EUA. O presidente Lula esteve na Casa Branca no dia 7 de maio, em visita considerada bem-sucedida pelo Palácio do Planalto.

A relação entre o petista e o republicano alternou momentos de tensão e aproximação desde a volta do republicano à Casa Branca. Ela é marcada pelo tarifaço dos EUA e por críticas norte-americanas ao Judiciário brasileiro no contexto do julgamento de Jair Bolsonaro (PL). Agora, o governo brasileiro tenta reduzir desgastes, inclusive em torno da investigação comercial aberta pelos EUA com base na Seção 301 da Lei de Comércio norte-americana.

O encontro, se confirmado, não deve alterar o que já foi acordado entre as delegações técnicas dos dois países. Reuniões entre equipes brasileiras e americanas continuam previstas para a semana que vem, incluindo tratativas sobre o grupo de trabalho comercial proposto por Lula e aceito por Trump.

Para o Planalto, contudo, ainda é cedo para avaliar.

O governo brasileiro vê com preocupação qualquer iniciativa que possa interferir no espaço diplomático conquistado ou dar protagonismo a oposição.

A visita de Lula a Washington é lida pelo governo como um ativo político para as eleições de 2026. A avaliação é de que o presidente conseguiu projetar a imagem de um líder capaz de negociar com qualquer interlocutor –inclusive adversários ideológicos. Ao mesmo tempo, conseguiu desarticular iniciativas que tentavam construir uma narrativa hostil ao Brasil dentro do governo Trump. Para o Planalto, isso reduz, sem eliminar, o risco de interferência americana no processo eleitoral brasileiro.

Mesmo setores da própria direita avaliam que um apoio explícito de Trump a um candidato da oposição poderia ser contraproducente. A associação com o americano já funcionou como combustível para Lula no passado.


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