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3º mandato de Lula terá o maior rombo fiscal médio da história

Radar Olhar Aguçado(há cerca de 3 horas)
3º mandato de Lula terá o maior rombo fiscal médio da história

O 3º mandato do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) terá o maior deficit nominal médio da história do país, segundo estimativas de agentes do mercado financeiro. O saldo negativo projetado nas contas do setor público consolidado é de 8,54% do Produto Interno Bruto (PIB). O recorde anterior foi registrado durante os governos de Dilma Rousseff (PT) e Michel Temer (MDB), quando atingiu 8,48% do PIB.

O setor público consolidado engloba a União, os Estados, os municípios e as estatais. O resultado nominal considera as despesas com os juros da dívida.

Até o 3º ano do governo Lula, o deficit nominal médio havia sido de 8,55%. Para estimar o rombo fiscal médio projetado para todo o mandato, o Poder360 considerou a mediana das estimativas do Boletim Focus para 2026, que indicam um saldo negativo de 8,50% do PIB neste ano.

Infográfico mostra deficit nominal de cada mandato presidencial; 3º mandato de Lula terá maior deficit da história atingindo -8,54%

Eis o histórico de deficit nominal anual no governo Lula:

  • 2023: -8,84% do PIB;
  • 2024: -8,47% do PIB;
  • 2025: -8,34% do PIB;
  • 2026: -8,50% do PIB (estimativa do Boletim Focus).

Para o deficit nominal não ser recorde no atual mandato do presidente, o setor público consolidado teria que registrar um deficit nominal menor ou igual a 8,24% do PIB em 2026. Esse seria o melhor desempenho entre todos os anos em que Lula esteve à frente do Palácio do Planalto.

Não é esperada uma melhora no desempenho das contas públicas nessa direção. As despesas com juros da dívida estão em trajetória de alta. No 3º mandato, o gasto médio será 7,64% do PIB, patamar recorde. Até 2023, o governo de 2003 a 2006 de Lula havia sido o que mais tinha gastado com juros da dívida em proporção ao PIB: 7,25%.

Infográfico mostra despesa média com juros da dívida de mandatos presidenciais anteriores; gasto com juros bateu recorde no governo Lula, atingindo 7,64%

Lula culpava o ex-presidente do Banco Central Roberto Campos Neto pelos juros elevados. Foram dezenas de críticas que começaram em 18 de janeiro de 2023 e se estenderam até a saída do ex-banqueiro central do cargo. Indicado pelo governo, Gabriel Galípolo foi poupado das reclamações de Lula, apesar de ter votado para subir a taxa básica, a Selic, depois da saída de Campos Neto.

A Selic tem efeito importante no encarecimento dos juros da dívida. Quando Campos Neto saiu do cargo, em dezembro de 2024, o juro-base estava em 12,25% ao ano. Com Galípolo, subiu para 15% ao ano em junho de 2025, e permaneceu neste patamar até março de 2026.

O Copom (Comitê de Política Monetária) decidiu cortar a taxa básica para 14,50% ao ano na reunião de 4ª feira (29.abr.2026).

Eis o histórico anual de gastos com juros da dívida no governo Lula:

  • 2023: -6,56% do PIB;
  • 2024: -8,07% do PIB;
  • 2025: -7,91% do PIB;
  • 2026: -8,0% do PIB (estimativa do Boletim Focus).

ROMBO DE R$ 1 TRILHÃO

O Banco Central divulgou nesta 5ª feira (30.abr.2026) que o deficit nominal do setor público consolidado foi de R$ 1,218 trilhão no acumulado de 12 meses e atingiu o maior patamar anualizado da série histórica. O saldo negativo havia sido de R$ 1,09 trilhão em fevereiro e de R$ 948,5 bilhões em março do ano passado.

Infográfico mostra trajetória mensal do resultado nominal do setor público consolidado no acumulado de 12 meses; deficit nominal anualizado bate recorde nominal em março de 2026

DEFICIT PRIMÁRIO

O deficit primário –que exclui os gastos com juros da dívida– será de 0,90% do PIB, segundo as projeções dos agentes financeiros. Em 2026, a mediana das projeções indica que o saldo negativo será de 0,5% do PIB.

O deficit médio do mandato do governo Lula diminuiu em relação à gestão de Jair Bolsonaro (PL), que foi de 2,03% do PIB. O resultado negativo no mandato do ex-presidente foi impactado pela pandemia de covid-19, quando o governo expandiu os gastos para combater os efeitos da crise sanitária na economia.

Lula terá deficit primário médio de 0,90% do PIB

A equipe econômica de Lula defende que o superavit fiscal registrado no mandato Bolsonaro foi artificial, e que coube ao governo atual custear despesas contratadas no passado com precatórios, dívida com governadores com a redução de impostos sobre combustíveis e Fundeb (Fundo de Manutenção e Desenvolvimento da Educação Básica e de Valorização dos Profissionais da Educação).

Leia abaixo a trajetória anual do resultado primário de cada governo:

  • Bolsonaro (2019-2022):
    • 2019: -0,84% do PIB;
    • 2020: -9,24% do PIB;
    • 2021: +0,72% do PIB;
    • 2022: +1,25% do PIB.
  • Lula (2023-2026):
    • 2023: -2,28% do PIB;
    • 2024: -0,40% do PIB;
    • 2025: -0,43% do PIB;
    • 2026: – 0,50%do PIB.

Nesta 5ª feira (30.abr.2026), o Banco Central publicou que o deficit primário do setor público consolidado foi de R$ 137,1 bilhões em março. Havia sido de R$ 52,8 bilhões em fevereiro e de R$ 13,5 bilhões em março de 2025.


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