O cantor Caetano Veloso publicou, nesta 4ª feira, um post em sua conta no X (antigo Twitter) em que agradece ao senador Otto Alencar (PSD-BA) por desmentir Márcio Bittar (PL-AC), que afirmou, no Senado, que o baiano “pegou em armas” durante a Ditadura Militar.
A declaração foi feita durante a sabatina que vota a aceitação do atual advogado-geral da União, Jorge Messias, para o cargo de novo ministro do STF. Para defender a anistia aos envolvidos em 8 de Janeiro, Bittar afirmou que os condenados pelo Supremo mereciam tratamento mais justo do que as pessoas que, segundo ele, teriam sido perdoadas e anistiadas em 1979 depois de participarem de uma “guerrilha urbana e rural”, onde “mataram pessoas e fizeram justiçamento”. Citou, para ilustrar, os nomes do ex-político e hoje comentarista Fernando Gabeira e Caetano Veloso.
“Fernando Gabeira, até o Caetano Veloso, em um momento de lucidez admitiram isso, os 2 disseram isso: ‘Nós não lutávamos pela democracia, lutávamos pela implantação da ditadura do proletariado’. E em nome disso pegaram em armas. Foram para a guerrilha urbana e rural. Mataram pessoas, fizeram justiçamento, e todas foram perdoadas e anistiadas em 1979”, disse Bittar.
Em resposta, o presidente da CCJ (Comissão de Constituição e Justiça do Senado) pediu que Bittar retirasse a fala. Segundo ele, Caetano “só pegou a vida inteira em violão”.
Na mensagem enviada horas depois, Caetano escreveu: “Meu agradecimento ao senador Otto Alencar por restabelecer a verdade e desfazer mais uma fake news repetida com tanta convicção. Tenho horror a armas! Como bem foi dito, me muno apenas do violão, da palavra e da canção”.

Durante a Ditadura Militar no Brasil, Caetano Veloso não integrou grupos armados nem participou de ações de guerrilha. O artista foi alvo da repressão do regime, chegando a ser preso em 1968 e, depois, exilado em Londres ao lado de Gilberto Gil.
Sabatina de Messias
Jorge Messias discursou no Senado por 38 minutos na manhã desta 4ª feira durante sabatina na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ).
No início do discurso, Messias ficou com a voz embargada ao contar sobre sua história e sua família. Também defendeu um STF mais colegiado, discreto e autocontido, com respeito às competências dos demais Poderes. Segundo ele, a Corte deve buscar aperfeiçoamento institucional, ampliar transparência e preservar a segurança jurídica, evitando “tanto ativismo quanto passivismo”. Leia a íntegra (PDF – 457 kB)
A votação para sua aprovação ainda está em curso. Caso entre para o STF, Messias ocupará a cadeira que era de Luís Roberto Barroso.
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