O ministro Luís Felipe Salomão, 63 anos, foi eleito por unanimidade presidente do Superior Tribunal de Justiça. A votação ocorreu nesta 3ªfeira (14.abr.2026), às 11h, no Pleno do tribunal. Dos 33 ministros, 32 participaram do pleito.
Salomão substituirá o atual presidente, Herman Benjamin, a partir de agosto. Até lá, os mandatos seguem em vigor. Cada gestão tem duração de 1 biênio, ou seja, 2 anos.
Benjamin, que presidiu a sessão, afirmou que a unanimidade na escolha é “uma demonstração forte de união do tribunal“, com “mérito do candidato e mérito da instituição”. O presidente disse que o STJ estará em “ótimas mãos“.
Os cargos de presidente, vice-presidente e corregedor nacional de Justiça são definidos por ordem de antiguidade. O vice-presidente de Salomão será Mauro Campbell, atual corregedor nacional de Justiça, também escolhido por unanimidade. O cargo de corregedor será ocupado pelo ministro Benedito Gonçalves.
A votação é secreta e simbólica, realizada em cédulas de papel. O tribunal definiu que o próximo pleito deverá ocorrer por meio de urnas eletrônicas, após reivindicação da ministra Nancy Andrighi.
O regimento interno do STJ estabelece que as eleições sejam realizadas três meses antes do fim do mandato atual. Conforme noticiado pelo Poder360, a antecipação do pleito ocorreu por causa da definição do cargo de corregedor nacional de Justiça, que precisa ser sabatinado e aprovado pela CCJ do Senado Federal. O calendário eleitoral também influenciou a decisão, diante da necessidade de articulação institucional com o Congresso.
Por fim, os ministros Raul Araújo e Antonio Carlos Ferreira foram escolhidos como diretor e vice-diretor, respectivamente, da Enfam (Escola Nacional de Formação e Aperfeiçoamento de Magistrados Sálvio de Figueiredo Teixeira).
QUEM SÃO OS MINISTROS
- Luís Felipe Salomão – ministro do STJ desde 2008. Foi nomeado por Luiz Inácio Lula da Silva (PT). É natural de Salvador e fez sua carreira no Rio de Janeiro. Fez direito na Universidade Federal do Rio de Janeiro. Depois, foi promotor de Justiça em São Paulo e ingressou na magistratura como juiz substituto. No Rio, foi juiz titular da 2ª Vara Empresarial do Rio de Janeiro e desembargador do Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro;
- Mauro Campbell – ingressou na Corte em 2008 por nomeação de Lula, ocupando uma das vagas destinadas ao Ministério Público. Nasceu em Manaus e foi promotor de Justiça no Ministério Público do Amazonas. Já havia sido procurador-geral do Estado 3 vezes;
- Benedito Gonçalves – tomou posse no STJ em setembro de 2008, também após nomeação de Lula. Natural do RJ, é formado em direito pela Universidade Federal do Rio de Janeiro. Iniciou a carreira na magistratura como juiz federal, em Santa Maria, no Rio Grande do Sul. Depois, voltou ao Rio de Janeiro e se tornou juiz federal TRF-2. É o atual diretor-geral da Escola Nacional de Formação e Aperfeiçoamento de Magistrados. Benedito teve seu visto revogado pelos Estados Unidos em 2025. Dois anos antes, quando era ministro do Tribunal Superior Eleitoral, foi relator das duas ações que condenaram o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) à inelegibilidade por abuso de poder econômico e político.
REUNIÃO DO PLENO
Pela tarde, o Pleno do Superior Tribunal de Justiça analisará as conclusões da comissão de sindicância que apura suspeita de importunação sexual envolvendo o ministro afastado Marco Buzzi. O relatório final da comissão recomenda a abertura de um PAD (Processo Administrativo Disciplinar) contra o magistrado.
O colegiado havia se reunido em 10 de março para deliberar sobre o afastamento, mas a sessão foi prorrogada após manifestações da defesa, que alegou necessidade de prazo adicional para apresentação de alegações.
Conforme antecipado pelo Poder360, a expectativa no STJ é pela manutenção do afastamento de Buzzi. Há maioria na Corte favorável à abertura do PAD. Caso o processo seja instaurado, o Ministério Público será acionado.
Com a abertura do PAD, o ministro não poderá solicitar aposentadoria. Alguns ministros avaliavam a possibilidade de que Buzzi antecipasse a saída do tribunal. A defesa nega essa hipótese.
“O ministro Marco Buzzi não irá pedir aposentadoria. O ministro não acredita que o processo administrativo contra ele será instaurado, até porque, na defesa prévia ora apresentada, há robustas e suficientes provas e esclarecimentos de que não cometeu nenhum ato impróprio. Ainda assim, em caso de abertura de procedimento, o ministro irá se defender para mostrar que não cometeu nenhuma ilegalidade”, afirmaram os advogados Maria Fernanda Saad Ávila e Paulo Emílio Catta Preta ao Poder360 em março deste ano.
Buzzi foi afastado cautelarmente pelo Pleno em 10 de fevereiro. Antes da decisão, o ministro havia solicitado licença médica de 90 dias. Ele cumpre o afastamento em casa.
