Vídeos que circulam nas redes sociais mostram um jovem utilizando aparelho de choque em uma pessoa em situação de rua na manhã de 2ª feira (13.abr.2026), em Belém (PA). Os 2 registros mostram o momento em que a vítima, que está de costas, é surpreendida com a ação de um estudante que aplica descargas elétricas em seu corpo.
Os 2 jovens, um apontado como responsável pelos choques e outro por gravar os vídeos, são estudantes do curso de Direito do Cesupa (Centro Universitário do Estado do Pará) e foram afastados. Um deles é Antônio Coelho, filho de Renata Coelho, diretora-geral do Departamento de Trânsito do Pará. O outro é Altemir Sacramento Filho.
Assista (37s):
Segundo moradores da região, episódios parecidos envolvendo pessoas em situação de rua têm sido frequentes. Em alguns casos, jovens que chegam em carros de luxo jogam bombinhas, garrafas e jatos de extintor de incêndio contra as vítimas.
O Poder360 procurou a diretora-geral do Detran do Pará, Renata Coelho, para perguntar se ela gostaria de se manifestar sobre o caso que envolve seu filho. Não houve resposta até a publicação desta reportagem. O texto será atualizado caso uma manifestação seja enviada a este jornal digital.
Em nota, o Cesupa afirmou que lamenta o caso e que “realizará o afastamento imediato dos alunos de suas atividades acadêmicas e abrirá procedimento administrativo interno para a devida apuração dos fatos”. Disse que pauta “sua missão acadêmica em valores humanísticos, integrando esses princípios à prática e à formação ética de seus alunos”.
Leia a íntegra da nota:
“O Cesupa lamenta o ocorrido na manhã desta 2ª feira (13.abr.2026), em via pública, envolvendo alunos da instituição e uma pessoa em situação de rua.
“Ao tomar conhecimento dos fatos, a instituição adotou imediatamente medidas de colaboração com as autoridades policiais para a apuração do ocorrido. O coordenador do curso de Direito acompanhou pessoalmente as providências adotadas na delegacia de polícia.
“Além disso, o Cesupa realizará o afastamento imediato dos alunos de suas atividades acadêmicas e abrirá procedimento administrativo interno para a devida apuração dos fatos. O Regulamento Geral e o Código de Ética e Conduta do Cesupa serão aplicados para a adoção da punição devida.
“O Cesupa pauta sua missão acadêmica em valores humanísticos, integrando esses princípios à prática e à formação ética de seus alunos. Esse compromisso se reflete na interlocução permanente com órgãos de proteção social e nas ações desenvolvidas em todos os cursos para a promoção dos direitos fundamentais.
“Reafirmamos nosso compromisso com a transparência e com a aplicação rigorosa de nossas normas internas, colaborando com as autoridades para que episódios desta natureza não se repitam, preservando a integridade dos valores de cidadania que defendemos perante a sociedade.”
DESDOBRAMENTOS
O Ministério Público Federal, por meio da PRDC (Procuradoria Regional dos Direitos do Cidadão), abriu na 2ª feira (13.abr) uma apuração para investigar o caso. O procurador regional Sadi Machado pediu informações da reitoria do Cesupa, para onde os jovens se dirigiram depois do episódio. Deu um prazo de 48 horas para o envio.
O MPF também apresentou uma representação criminal no Ministério Público do Estado do Pará para que os casos também sejam investigados na esfera penal estadual.
A deputada estadual Lívia Duarte (Psol-PA) disse na 2ª feira (13.abr.2026) que encaminhou ofícios ao Ministério Público e à instituição de ensino para “a devida apuração e a adoção de providências urgentes sobre o caso”. Nas redes sociais, o episódio “evidencia a falha estrutural e política na proteção dos mais vulneráveis”.



