A Polícia Federa (PF) prendeu, nesta sexta-feira (25/9), o candidato a deputado federal Daniel Trindade (PL), de 42 anos, em Boa Vista (RR). A prisão ocorreu no âmbito da operação batizada de “Cunhambebe”, que investiga a atuação de Trindade na criação de uma milícia privada e outros crimes no estado.
Porém, durante as buscas, os policiais encontraram indícios de crimes eleitorais relacionados à susposta compra de votos. O candidato foi levado para a sede da PF.




candidato a deputado federal Daniel Trindade (PL)
Divulgação/Daniel TrindadeA operação cumpriu mandados de busca e apreensão em endereços ligados a Daniel em Boa Vista e no município de Cantá, no norte do estado.
Trindade é delegado da Polícia Civil do Amazonas (PCAM), lutador profissional de jiu-jítsu e advogado.
Milícia em terra indígena
- A operação foi autorizada pelo juiz Victor Oliveira de Queiroz, da 4ª Vara Federal Criminal de Roraima.
- As apurações começaram depois que agentes federais foram atacados durante uma operação contra o garimpo ilegal na Terra Indígena Raposa Serra do Sol, em maio deste ano.
- Na ocasião, equipes da Polícia Rodoviária Federal (PRF) e do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) atuavam na comunidade Napoleão, uma das áreas afetadas pelo garimpo ilegal de ouro com uso de cianeto.
- Durante a fiscalização, um grupo tentou bloquear a passagem das viaturas.
- Segundo as investigações da PF, Trindade é suspeito de participar de formação de um grupo armadado paralelo, além de incentivar a prática de crimes e manter produtos ilícitos, o que pode configurar receptação qualificada.
- Ele também é investigado por supostamente dificultar ações de fiscalização ambiental e colocar outras pessoas em risco.
Medidas contra candidato
Na decisão, o juiz autorizou a apreensão de documentos e aparelhos eletrônicos encontrados nos endereços investigados. O material deverá passar por perícia.
O magistrado também permitiu que Daniel Trindade seja revistado em via pública, considerando que ele viaja frequentemente pelo interior de Roraima durante a campanha eleitoral.
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Além disso, a Justiça proibiu o candidato de entrar em terras indígenas do estado e de manter contato com integrantes da Comunidade Napoleão e com o presidente da Associação dos Arqueiros de Roraima.
Um curso de segurança privada ministrado por Daniel também foi suspenso por 180 dias. Segundo a PF, os treinamentos eram realizados de forma clandestina, sem autorização do órgão responsável, e ensinavam táticas operacionais de segurança.
Caso descumpra as medidas impostas pela Justiça, Trindade poderá ter a prisão preventiva decretada.
O Metrópoles tentou contato com a defesa do candidato e aguarda manifestação

